MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO X – OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS
582. Pode-se considerar como
missão a paternidade?
“É,
sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo
dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto
ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o
dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma
organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões.
Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de
fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu
filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes
dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não
terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do
bem.”
Paternidade - missão incontestável
A paternidade é uma missão,
e muito importante, dentro da sociedade. Os pais são os instrumentos por onde o
Espírito toma um corpo físico, revestindo-se de oportunidades para elevar-se.
A missão de ser pai e mãe,
pela lei da justiça é, igualmente, uma obrigação, porque antes receberam também
esta misericórdia dos seus pais, para que se materializassem no corpo pelos
processos da reencarnação. Todos os Espíritos têm de passar pelos mesmos caminhos,
que são processos espirituais criados por Deus. Ele sabe o que mais nos convém.
A paternidade é uma
verdadeira missão, no entanto, muitos não cumprem suas tarefas como tutores dos
que chegam em seus lares com o verdadeiro amor. Os pais desleixados sofrem
depois ao verem seus filhos em decadência, por vezes por falta de atendimento
na sua educação, esquecendo-se de instruí-los. A esperança que todos temos é
que, com o tempo e as reencarnações, os pais vão despertando, tanto quanto os
filhos, e nas junções dos valores todos melhoram pela maturidade.
O instrumento primeiro para
todas as famílias é o Evangelho de Jesus. Quando ele entrar nos lares como
carta divina de educação, a harmonia irá chegar aos corações e seus ocupantes
tomar-se-ão melhores, conscientes dos seus deveres junto à família e à
sociedade. O homem tem mais necessidade de Jesus do que de alimento para o
corpo. O ser humano, e mesmo o espiritual, deve decidir-se logo a despojar-se
das coisas inconvenientes e ir depressa em busca do Mestre, solução para todos
os seus problemas.
Lançando de si a capa,
levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. (Marcos, 10:50)
Foi ter com Jesus e
encontrou a solução para todos os seus problemas.
Os tempos estão chegando; os
acontecimentos envernizados nas paixões inferiores estão visíveis, fazendo
sofrer toda a humanidade, mas a esperança está nascendo nos corações dos que já
alcançaram a maturidade espiritual e eles visualizam Jesus de braços abertos
para acolher a todos os de boa vontade que queiram escutá-Lo. O Mestre é a
Verdade, e a libertação dos homens está no cumprimento das leis naturais estabelecidas
por Deus e apresentadas por Cristo na Terra.
Devemos buscar a Deus e a
Sua justiça; esforcemo-nos para isso, que o resto nos virá por acréscimo de
misericórdia. É bom que gravemos nos corações o que citamos abaixo, extraído de
"O Livre dos Espíritos", ditado pelos luminares da eternidade, em
Prolegômenos:
Lembra-te de que os bons
Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e
desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda de Céu um degrau
para conquistar as coisas da Terra.
O afastamento destes
Espíritos puros baseia-se na lei de atração; não encontrando sintonia nos
corações que desconhecem o bem, os Espíritos elevados buscam os de boa vontade,
para cumprir o que disse o Mestre, conforme anotado por Mateus, no capítulo
sete, versículo seis:
Não deis aos cães o que é
santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com
os pés, e voltando-se vos dilacerem.
Não é que vamos considerar
os nossos irmãos como esses animais, mas é para não perdermos tempo com quem
não quer andar e ainda se encontra no sono da indiferença.
Os pais devem entender que
são agentes de Deus para a educação daqueles que o Senhor colocou em seu
caminho, e devem livrar-se do apego demasiado, para que os filhos não venham a
depender sempre dos seus esforços.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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