Páginas

O livro dos espíritos. Q. 584

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS

CAPÍTULO X – OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS

584. De que natureza será a missão do conquistador que apenas visa satisfazer à sua ambição e que, para alcançar esse objetivo, não vacila ante nenhuma das calamidades que vai espalhando?

“As mais das vezes não passa de um instrumento de que se serve Deus para cumprimento de seus desígnios, representando essas calamidades um meio de que ele se utiliza para fazer que um povo progrida mais rapidamente.”

a) - Nenhuma parte tendo na produção do bem que dessas calamidades passageiras possa resultar, pois que visava um fim todo pessoal, aquele que delas se constitui instrumento tirará, não obstante, proveito desse bem?

“Cada um é recompensado de acordo com as suas obras, com o bem que intentou fazer e com a retidão de suas intenções.”

A.K.: Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes às suas existências corpóreas. No estado de erraticidade, ou de desmaterialização, tais ocupações são adequadas ao grau de adiantamento deles.

Uns percorrem os mundos, se ocupam com o progresso, dirigindo os acontecimentos e sugerindo ideias que lhe sejam propícias. Assistem os homens de gênio que concorrem para o adiantamento da Humanidade.

Outros encarnam com determinada missão de progresso.

Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades e os povos, dos quais se constituem os anjos guardiães, os gênios protetores e os Espíritos familiares. Outros, finalmente, presidem aos fenômenos da Natureza, de que se fazem os agentes diretos.

Os Espíritos vulgares se imiscuem em nossas ocupações e diversões.

Os impuros ou imperfeitos aguardam, em sofrimentos e angústias, o momento em que praza a Deus proporcionar-lhes meios de se adiantarem. Se praticam o mal, é pelo despeito de ainda não poderem gozar do bem.

Missão do conquistador

Se tudo que acontece é pela permissão de Deus, o conquistador tem alguma coisa para fazer em favor dos que ainda não desejam andar pela força do progresso. Vamos tomar como modelo Napoleão Bonaparte, que libertou a França do jugo venenoso das linhas conservadoras, que tinham como deus o líder do conservadorismo que entravava o progresso do saber.

Napoleão foi um missionário para libertar o pensamento na França, como ocorreu com Joana D'Arc; os dois, em tempos diferentes, tiveram o mesmo objetivo. No entanto, a sua libertação depende dos sentimentos que os conduziram nos movimentos que encadearam contra determinados povos. As conquistas de Napoleão favoreceram até o Brasil, que teve um incentivo para sua liberdade.

Os povos chegam a certo ponto de ignorância sobre ás leis de Deus, que os Espíritos superiores provocam muitas tempestades sobre eles para acordarem, de modo a conhecerem Deus e a Sua justiça. A Historia Universal está repleta destes fatos, para que possamos compreender a vontade soberana.

Se queres aproximar-te mais da Divindade, e ter olhos para ver o que Ela faz por ti no silêncio, faze o que o apóstolo Mateus anotou no Evangelho, no capítulo vinte e cinco, versículo trinta e seis: Estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.

Vamos ser missionário em nosso mundo íntimo, conquistadores de nós mesmos, que seremos livres para sempre de todas as opressões da vida. O Evangelho salienta a caridade como sendo a tábua de salvação do Espírito. As guerras estão no mundo devassando os continentes e fazendo sofrer grande parte da humanidade, por falta do Evangelho no coração dos homens. Quando eles voltarem para Jesus com todo amor, passando a viver os Seus ensinamentos, começarão a conhecer a si mesmos, e procurarão gastar todo o tempo que lhes sobra em reformarem suas próprias condutas.

O fim dos tempos maus está próximo; devemos cooperar para que esse tempo venha logo, desta forma as guerras se tornarão em paz, os canhões se transformarão em ferramentas para a lavoura, e os aviões em motivo de lazer e comércio; o ódio em amor, a tristeza em alegria, tudo para o bem da coletividade. A Terra, de mundo de provas e expiações, se tornará um mundo de paz e de fertilidade espiritual, onde todos se entendem, onde países entrelaçam as mãos na verdadeira fraternidade universal, onde tudo é de todos, como filhos do mesmo Pai.

A missão dos espíritas é conquistar corações não somente com as palavras mas, igualmente, e até muito mais, com o exemplo de vida que deve levar. O conquistador que visa somente ao seu bem pessoal e ao dos seus amigos e parentes, certamente que irá responder pelo que fez de errado.

O conquistador missionário é o que se propõe a melhorar a sociedade e trabalhar para o bem coletivo, harmonizando-se com todos os povos. A palavra missão, devemos empregar somente para o bem, sem exigências, porque ela é alicerçada no amor.

Fonte:
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário