MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os animais e o homem
610. Ter-se-ão enganado os
Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação?
“Não,
mas a questão não fora desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu tempo podem
ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir
faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie
humana é a que Deus escolheu para a encarnação do seres que podem conhecê-Lo.”
Homem: um ser à parte
Verdadeiramente o homem é um
ser à parte dos outros reinos, porque ele está destinado a conhecer o Criador,
com bastante profundidade, como lhe toca seu destino. Além de compreender o
Soberano Senhor, ele procura entender Suas leis e respeitá-las. Será, assim, de
grande valia para a sua paz interna, para a sua vida consciente, reconhecer de
onde veio e para onde vai.
Existem, como sempre falamos, muitos segredos a serem desvendados. Ainda não o foram porque a verdade é relativa ao grau evolutivo da humanidade. O regulador da verdade é o tempo, a maturidade da alma. O homem é um ser à parte, visto ser possuidor de faculdades que nos animais e nos outros reinos estão ainda escondidas. Jesus falou muita coisa, por vezes em parábolas, que somente seriam reveladas aos Seus discípulos. O tempo tanto esconde, como revela tantas outras parábolas que a natureza tem para dizer.
A Doutrina dos Espíritos é
também reveladora, e está entregue a ela dizer muita coisa que Jesus, naquela
época, não poderia falar. Por isso é que dizemos que se deve ler e meditar nas
obras espíritas, tirando o que se pode entender.
Se alguém tem ouvidos para
ouvir, ouça. (Marcos, 7:16)
Os ouvidos a que se referia
o Mestre são os ouvidos do entendimento, que estão bem desenvolvidos na época
em que estamos escrevendo. As coisas dos céus penetram nos homens na Terra por
sintonia de vida.
Modifica a tua vida que as
revelações irão chegando por lei ao teu coração.
O homem, podemos dizer e
repetir, é um ser à parte, porque somente ele tem entendimento e razão para
deduzir a fala do Mestre e esforçar-se para vivê-la. É nesse viver que vão
chegando devagarzinho os princípios da felicidade no ambiente da consciência.
Fazemos parte de um todo, no entanto, esse todo se divide em dimensões
variadas, na sequencia de vidas inúmeras, mostrando assim o quanto Deus é bom,
justo e amoroso, dando a tudo as mesmas bênçãos. Entretanto, nem tudo respira
essa luz de maneira igual; cada um recebe o que merece, pela escala à qual
pertence. Eis aí a justiça divina se expressando em toda parte do universo.
Os Espíritos superiores não
se enganam quanto as suas revelações. Os que ouvem ou leem suas recomendações é
que por vezes se enganam nas interpretações dos textos. Mas, com o tempo, a luz
se fará no entendimento dos que procuram a verdade. É por isso que o homem, com
efeito, é um ser à parte, por ter ouvidos afinados mais que os dos animais para
ouvir e entender o que vem dos anjos.
Deves obedecer às leis dos
homens, que essas íeis poderão te ajudar no entendimento maior das coisas que
precisas.
Se queres conhecer mais a
Deus, tu, que estás animando um corpo físico, é bom que O procures. Os caminhos
são muitos e as portas estão abertas, porém, é preciso que te esforces. Toda
subida pede esforço. Todas as atividades mentais constituem pedidos, e todos
eles são respondidos na faixa das intenções do emissor. Em vários casos, Deus
permite que seja feita a nossa vontade, mesmo que em situações inferiores, para
nos dar uma lição, porque a dor é mestra consumada, registrada em todos os
tempos. Se tirassem a dor do mundo, esse voltaria às cavernas, porque na altura
espiritual em que se encontram os homens, eles não podem viver sem a dor.
Assim, o homem da Terra é um
ser à parte, em se referindo aos mundos superiores, porque neles gozam a
irradiação do amor; aqueles que cultivam o orgulho e o egoísmo estão, sem que o
saibam, à procura da dor para serem estimulados ao Amor.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário