AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO I – A LEI DIVINA OU NATURAL
Caracteres da lei natural
616. Será possível que Deus
em certa época haja prescrito aos homens o que noutra época lhes proibiu?
“Deus
não se engana. Os homens é que são obrigados a modificar suas leis, por imperfeitas.
As de Deus, essas são perfeitas. A harmonia que reina no universo material,
como no universo moral, se funda em leis estabelecidas por Deus desde toda a
eternidade.”
Mudança nas leis
Deus não se engana. As leis
naturais criadas por Ele são eternas, como eterno é o próprio Senhor. Os homens
é que criam leis transitórias, de modo a serem mudadas de acordo com os tempos.
As criaturas se inspiram nas leis naturais para fazerem as suas. As leis dos homens são inumeráveis, e sempre estão mudando, como dizem eles mesmos, atualizando-se de acordo com a capacidade de assimilação das criaturas.
As leis de Deus são de toda
a eternidade. Quando falamos de toda eternidade, não há tempo determinado. O
ser humano não pode ter a pretensão de dizer que sabe tudo, mediante suas
especulações. Ele somente sabe o que vê e ouviu dizer; ele é, por excelência,
um copista, porque tudo está feito no programa do Todo Poderoso.
Não existe o que não tenha sido
feito por Deus. Quantos vivem iludidos com a falsa sabedoria! Se o sábio
soubesse que nada sabe, teria mais humildade. Muita gente envergando a roupagem
da vaidade e do orgulho se arma das singelas letras que aprendeu e decorou nos
bancos das escolas, para combater o Evangelho, porque nos mostra as leis na sua
mais profunda simplicidade. Como se enganam essas criaturas! O Evangelho, mesmo
na sua feição física, é tesouro valioso, quanto mais na feição moral e na
espiritual! Ele se encontra escrito em muitas dimensões, para atender Espíritos
em diversas faixas de vida.
Não deves preocupar-te em
consertar a vida; ela já é perfeita. O que supões ser imperfeição, se encontra
dentro de ti mesmo. Se o reino de Deus está em nós, não existe imperfeição na
alma; o fato se explica pela desarmonia da mente. Deus não se engana, os homens
é que enganam a si mesmos. É justo que compreendamos a simplicidade evangélica
nestas palavras do divino Mestre: Portanto, não vos inquieteis, pois, o
amanhã trará os seus cuidados. Basta ao dia o seu próprio mal. (Mateus, 6:34)
Será possível que todos os
dias devamos nos preocupar com o futuro? Basta o dia com seu próprio mal. Vamos
aprimorar todos os dias as coisas que devem ser aprimoradas, examinar o que
estamos fazendo e fazer melhor, que o resto pertence ao Grande Benfeitor da
vida, com Seus anjos. Não deves demorar muito tempo pensando no passado.
Procura o Evangelho, que ele te instruirá acerca de todas as coisas, te dando
compreensão para o prosseguimento da tua jornada. A preocupação com o dia de
amanhã vai te trazer mais dificuldades, porque preocupação, pelo sentido
etnológico do termo, já é ocupar-se antes de acontecer.
Se verificares a vida dos
grandes personagens da história, verás que eles inspiraram suas vidas nas leis
naturais, por isso venceram com vitória de luz.
Queiramos ou não, buscamos a
perfeição, por ser lei natural do universo. A harmonia reina em todos os pontos
da vida, porque Deus é harmonia.
Se olhas com os olhos da
alma em Cristo, poderá dizer: Em nada existe imperfeição. Tudo se encontra na
ordem perfeita das coisas! É preciso que despertemos para tal ambiente de Deus
e encontremos a felicidade.
Quando alcançarmos a
tranquilidade imperturbável da consciência, nunca mais duvidaremos e sempre
afirmaremos:
Deus não se engana!
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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