AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Igualdade dos direitos do homem e da
mulher
822. Sendo iguais perante a
lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante as leis humanas?
“O
primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não
quereríeis que vos fizessem.”
a) - Assim sendo, uma
legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos
direitos do homem e da mulher?
“Dos
direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe
compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo
com a sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a
igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido
é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da
civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além
disso, só existem na organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar
num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por
conseguinte, gozar dos mesmos direitos.”
Igualdade dos direitos
Consagram as leis de Deus
direitos iguais ao homem e à mulher. A igualdade de direitos é a expressão da
justiça de Deus. Se os Espíritos são iguais na sua gênese, por que privilégio
para um e negação para outros? Tanto a lei divina nos mostra a justiça neste
caso, quanto as leis humanas devem fazer o mesmo.
A emancipação da mulher no
campo dos direitos avança e toma corpo, de modo que ela tenha a liberdade que
lhe compete conquistar, paralelamente com a responsabilidade, duas forças que
trabalham para o aperfeiçoamento da alma. Ser-nos-á difícil entender o homem
com os seus direitos de posse assegurados na vida e os mesmos direitos negados
à mulher, que faz um trabalho grandioso no lar e mesmo fora dele, em favor da
educação e da instrução. Porém, o tempo traz a civilização dotada de razão a
emancipação da mulher naquilo que ela já conquistou, e hoje já se veem muitos
movimentos feministas, alguns até exagerados, mas tendo explicação na
morosidade da justiça da Terra em libertar a mulher. Mas, como nada se faz sem
a permissão de Deus, a companheira do homem ganhou com isso, tendo sua
sensibilidade mais apurada que ele, para o permanente exercício da comunicação
com o Além, por vezes sem perceber.
Certamente que os direitos
da mulher são iguais aos dos homens, não obstante, com as funções diferentes,
para complemento do todo no lar. Com isso, não fica desvalorizado o trabalho
dela, porque cada um foi chamado por Deus para desempenho diferente, mas com a
mesma soma de conquistas.
No mundo de Deus, não
existem privilégios, assim como em campo algum da vida, por ser Deus
eternamente justiça. Podemos comparar pela natureza: vejamos a luz do sol que o
Senhor derrama na Terra, nos diferentes reinos, onde todos recebem o mesmo calor,
a chuva e o ar, embora cada criatura receba somente o que merece na sua vida
particular. Como disse o Mestre, ao que tem, será dado mais, e ao que não tem,
até o que tem lhe será tirado. O que tem sabedoria, conhecimento das leis, ele
próprio absorve da luz do sol o que ela pode dar a mais na sua estrutura, e o
que não tem esse saber, o que poderia receber pelo saber lhe será tirado. É a
justiça operando no silêncio da vida. Trabalhemos, pois, para melhor entender o
que nos espera no centro da vida, dependendo dos nossos esforços para adquirir.
Existe a igualdade de
direitos, mas não igualdade de conquistas, sendo que um tem tudo nas mãos
porque aprendeu a buscar, e o outro ainda não conquistou essa experiência,
faltando-lhe mais vivência, que o amanhã trará.
Vamos ver o que está anotado
em João, no capítulo seis, versículo cinquenta e nove, que nos diz: Este é o pão que desceu do céu, em nada
semelhante àquele que os vossos pais comeram, e contudo morreram. Quem come
este pão, viverá eternamente.
Aquele que come somente do
pão da Terra para viver fisicamente, sem se lembrar das coisas espirituais,
pode se considerar morto, e quem come igualmente do pão do céu, fonte sublimada
em Cristo, está sempre vivo pela eternidade afora.
O Espiritismo com Jesus nos
distribui o pão do céu, por nos revelar os preceitos de luz do Evangelho e nos
mostra o quanto vale vivê-los. Somos todos iguais e recebemos de igual modo
pela força da justiça. Deus nos dá tudo com igualdade, mas fez a lei que regula
essa dádiva, de acordo com os nossos esforços pela maturidade da alma. Todo
trabalhador é digno do seu salário.
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