MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os animais e o homem
596. Donde procede a aptidão
que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem e por que essa
aptidão se revela mais nas aves do que no macaco, por exemplo, cuja conformação
apresenta mais analogia com a humana?
“Origina-se
de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de
imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz.”
Aptidões diversas
As aptidões são diversas nos
animais e nas aves. O papagaio, por exemplo, pelo instinto de imitação mais
avançado, procura imitar a voz do homem, mas fica somente na imitação. Ele não
cria nada por sua vontade, que ainda não desenvolveu no cenário da sua evolução.
O macaco, igualmente, imita por instinto certos gestos do homem, por estar na
escala mais próxima deste.
Esses estudos são fascinantes, e até mesmo os cientistas neste campo ficam deslumbrados com a linha evolutiva dos animais. É certo que todos os animais têm aptidões que o tempo se encarrega de desenvolver. Tudo cresce pela força do progresso, pela força da própria vida.
A ave que repete o que ouve
do ser humano o faz pela conformação dos seus órgãos vocais, mais aperfeiçoados
do que em outros seus semelhantes. Isso é a natureza; ela se diversifica em
tudo, dando assim uma totalidade de vida, com maior beleza. O macaco tem muitos
traços bem semelhantes aos homens; essa aparência é que faz os homens estudarem
essa espécie com maior interesse. Mas, é como disse o Espírito Erasto, em
"O Livro dos Médiuns": "em toda a sua geração, eles não passam
de macacos".
Somente no homem, dada a sua
razão, é que o Espírito pode modificar as coisas e a sua vida, entender,
analisar, discernir e crescer pela sua própria vontade. Podes usar um macaco e
fazer dele um servo no seu lar; ensiná-lo a andar de bicicleta, e até mesmo
dirigir veículo; ensinar um papagaio a cantar muitas músicas e a imitar vários
sons, no entanto, eles somente fazem isso aprendendo com os homens. São
aptidões incentivadas pelos homens. Os animais mesmos não sabem fazê-lo, ao
passo que o homem sabe despertar a si mesmo pela razão, que se consubstancia na
vontade, nas pesquisas, de modo que em muitas vezes entra a mediunidade em
função, principalmente quando é em benefício da humanidade.
Não podemos deixar de anotar
igualmente que todos os animais, de todas as espécies, quando não imitam a voz,
nem os gestos, entendem o que o homem pacientemente, com amor, queira lhes
ensinar. É uma transferência de imagens que os sentimentos podem criar.
O pensamento é força ainda
desconhecida pelos homens. É neste sentido que escrevemos muito sobre a mente,
para que possa interessar aos companheiros o estudo sistemático da força do
pensamento. O ser humano, no amanhã, vai conhecer a força que possui, mas,
depois que educar os sentimentos. A vida sem educação é uma vida animal. A educação
de que falamos não é aquela só dos bancos das escolas; é a que temos por mestre
Jesus Cristo, e através do livro básico: o Evangelho. A Doutrina dos Espíritos
é a coadjuvante destas reformas operadas por Jesus e iniciadas por Ele.
A humanidade está sendo
chamada para a luz; os homens que se fizerem de surdos deverão desocupar a
Terra, para outros seres que queiram aprender a lição do amor.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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