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Parábola dos servos inúteis

“Disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. E o Senhor respondeu: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá. Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou guardando gado, lhe dirá, quando ele se recolher do campo: vai já pôr-te à mesa, e que, ao contrário, não lhe ordene: prepara-me a ceia, cinge-te, e serve-me enquanto eu como e bebo; depois comerás tu e beberás? E quando o servo tenha feito tudo o que lhe foi ordenado, porventura lhe fica o senhor em obrigação? Creio que não. Pois assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos uns servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer.” (Lucas, 17:5-10).

Como se depreende facilmente do texto supra, ao tempo em que Jesus esteve entre nós, os operários rurais, finda sua jornada de trabalho no campo, tinham ainda outros deveres, quais sejam: preparar e servir a. ceia a seus patrões, e só então é que iam cuidar de si mesmos.

Era, sem dúvida, um regime duro, inaceitável nos dias de hoje, mas, como fazia parte do contrato de emprego, nenhum trabalhador achava, nem poderia achar, que fazia mais do que a obrigação. Nem seus amos, tão-pouco, ficavam a dever-lhes qualquer reconhecimento, por isso.

O Mestre, com sua capacidade extraordinária de improvisar as mais sábias lições, aproveitando-se da paisagem que o circundava ou dos costumes da época, ao ouvir a rogativa dos apóstolos: “Senhor, aumenta-nos a fé”, depois de exaltar os poderes miraculosos desta preciosa virtude, fá-los compreender que, para ser fortalecida, a fé tem que se apoiar em atos de benemerência, em devotamento ao próximo, em renúncia pessoal a benefício dos semelhantes.

Assim como a percepção de maiores rendimentos pecuniários, seja na lavoura, no comércio ou na indústria, depende da produtividade de cada um, também a fé, que é o salário da alma, só pode ser aumentada naqueles que demonstrem espírito de serviço, e se empenhem, com afinco, no campo do altruísmo e da fraternidade cristã.

Sim, porque, como disse Tiago: “a fé sem obras é morta”, e o que está morto não pode crescer, não é passível de desenvolvimento. Só os organismos vivos é que possuem essa faculdade.

Aqueles que dizem: “a fé é uma só”, e supõem seja ela infundida de um jato, como um favor do céu a uns poucos privilegiados, evidentemente laboram em erro.

Ensinando, aos que partilhavam do colégio apostólico, qual o “processo” para aumentá-la, Jesus desmente tal concepção, eis que não há nada estático no Universo, e a fé, como tudo o mais, também é dinâmica, evolve e se aperfeiçoa.

Mister, entretanto, que, na prática do Bem, guardemos sempre uma atitude de sincera modéstia, alijemos de nosso coração qualquer laivo de orgulho, qualquer pretensão de superioridade. Após cada gesto de amor que tenhamos

ensejo de praticar, demos graças a Deus pela. oportunidade de servir que nos ofereceu, dizendo-lhe humildemente: “Somos uns servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer.”


Parábolas evangélicas. FEB OnDemand, capítulo 24.

Parábola do servo vigilante

“Estejam cingidos os vossos lombos e tende nas mãos tochas acesas; sede semelhantes aos servos que esperam a seu senhor, ao voltar das bodas, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o Senhor achar vigiando quando vier; na verdade vos digo que ele se cingirá, e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados são os tais servos. Mas, sabei isto: se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa. Vós outros, pois, estai apercebidos, porque à hora que não cuidais, virá o Filho do homem. Disse-lhe então Pedro: Senhor, tu propões esta parábola só a nós outros, ou também a todos? E Jesus lhe disse: Quem crês que é o despenseiro fiel e prudente que o Senhor pôs sobre a família, para dar a cada um a seu tempo a ração de trigo? Bem-aventurado aquele servo que, quando o Senhor vier, o achar assim obrando. Verdadeiramente vos digo, que ele o constituirá administrador de tudo quanto possui. Porém, se disser o tal servo no seu coração: Meu Senhor tarda em vir, e começar a espancar os servos e as criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o Senhor daquele servo no dia em que ele o não espera, e na hora em que ele não cuida, e o removerá, pondo-o à parte com os infiéis. Porque àquele servo que soube a vontade de seu Senhor, e não se apercebeu, e não obrou conforme a sua vontade, dar-se-lhe-ão muitos açoites; mas aquele que não o soube, e fez coisas dignas de castigo, levará poucos açoites. A todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido; e ao que muito confiaram, mais conta lhe tomarão.” (Lucas, 12:35-48).

Este trecho do Sermão Profético, proferido pelo Mestre quase ao final de sua missão entre os terrícolas, é uma exortação ao trabalho e à vigilância.

Recomenda ele nos mantenhamos firmes na execução das tarefas que nos cabe realizar, em benefício de nosso progresso espiritual e no de nossos semelhantes, pois, cristãos que pretendemos ser, estamos neste mundo na situação de despenseiros, cumprindo-nos assistir a família do Senhor — a humanidade, conforme sejam as necessidades de cada um.

Se assim fizermos, se estivermos sempre prontos, com a cinta cingida e a candeia acesa, em condições de servir e de iluminar de que de nós se acercam, a fim de lhes ensinar o caminho que conduz a Deus, estaremos sendo bons servos, conquistaremos com isso a confiança do Senhor, e Ele nos tomará como Seus prepostos, constituindo-nos administradores de seu patrimônio, o que equivale a dizer, obreiros da Providência Divina.

Sabemos, através do Evangelho, qual é “a vontade do Senhor”, como Ele quer que ajamos. Aí estão, por toda a parte, os famintos, os maltrapilhos, os desajustados, precisando de nosso amparo, auxilio e proteção; os ignorantes e transviados, reclamando nosso esclarecimento, orientação e estímulo para o bem; os sofredores de todos os matizes, carecidos de nossos exemplos de fé, de esperança, de paciência e de resignação, a fim de suportarem melhor as vicissitudes terrenas.

Cumpre-nos dar boa conta dos compromissos que assumimos perante o Cristo; cuidando com dedicação e zelo daqueles que ele nos haja confiado.

Parábola das dez virgens

“O Reino de Deus será comparado a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco dentre elas eram néscias e cinco prudentes. As néscias, tomando as suas lâmpadas não levaram azeite consigo; mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. Tardando o noivo, toscanejaram todas e adormeceram. Mas à meia noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí a seu encontro! Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam suas lâmpadas. E disseram as néscias às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando! Porém as prudentes responderam: Talvez não haja bastante para nós e para vós. Ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós. Enquanto foram comprá-lo, veio o noivo; e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas e fechou-se a porta. Depois vieram as outras virgens e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. “Portanto, vigiai, porque não sabeis nem o dia, nem a hora.” (Mateus, 25:1-13).

Há virgens e virgens, porque se umas são prudentes, outras são néscias. Esta interessante parábola deixa ver bem claro que o Reino dos Céus não é um pandemônio de sábios e ignorantes, não é um ambiente onde tenham a mesma cotação os prudentes e os tolos. 

A instrução espiritual é indispensável, assim como o é a instrução intelectual na vida social. Os que passam a vida ociosamente, dela sugando o que tem de bom a lhes oferecer para a satisfação de deleites, os néscios, que julgam obter o Reino de Deus, sem estudo, sem esforço, sem trabalho, finalmente aqueles que não fazem provisão de conhecimentos que os aumentem a fé, estão sujeitos a verem apagadas as suas candeias, e a perderem a entrada às bodas quando se virem forçados, de um momento para outro, a fazer aquisição de óleo, que representa os conhecimentos que fazem combustão em nossas almas, acendendo em nosso coração a lâmpada sagrada da fé. 

A fé sem conhecimento pode ser comparada a uma candeia mal provida que à meia noite não dá mais luz. Assim é a fé dogmática, misteriosa, abstrata: na ocasião das provações, das dores, dos sofrimentos, nessa metade da noite por que todos passam, essa fé é semelhante ao morrão que fumega, da torcida que já sugou a última gota de óleo. 

A prudência, ao contrário, manda ao homem que seja precavido, que abasteça abundantemente não só a sua candeia, mas também a maior vasilha que puder transportar, com o combustível que se converte em luz para lhe iluminar os passos, o caminho, a estrada por onde tem de seguir, e que assim possa, envolto em claridade, afrontar as trevas da noite inteira e ainda lhe sobre luz para com ela saudar os primeiros raios do Sol nascente. 

A prudência manda ao homem que estude, pesquise, examine, raciocine e compreenda. As virgens, tanto as da primeira condição, como as da segunda, representam a incorruptibilidade, representam todos aqueles que se conservam isentos da corrupção do mundo. 

Parábola do servo fiel e prudente

“Quem é, pois, o despenseiro fiel e prudente, ao qual o Senhor confiará a direção de sua casa, para que em tempo devido distribua o alimento? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo! Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. Mas se aquele servo disser no seu coração: Meu senhor tarda em vir, e começar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera e numa hora que ele não sabe, e separa-lo-á e porá a sua parte com os infiéis. E aquele servo, que soube a vontade do senhor, e não se preparou, nem fez conforme à sua vontade, será castigado com muitos açoites; aquele, porém, que não a soube, e fez coisas que mereciam castigos, será punido com poucos açoites. A todo aquele a quem muito é dado, muito lhe será requerido; e a quem muito é confiado, mais ainda lhe será exigido!” (Mateus, 24;45-51; Lucas, 12:42-48).

Este ensino, que se constitui em verdadeiro mandamento para o “servo vigilante”, deixa transparecer bem claramente aos olhos de todos, quais são os servos bons e quais os servos maus que operam na seara divina. 

Não são os que vivem da religião, comendo e bebendo, que se salientam como obreiros do bem e da verdade! 

Não são os que repudiam, condenam e excomungam seus semelhantes, que o Senhor escolheu para seus verdadeiros servos, mas, sim, os que são fiéis à sua Palavra e prudentes no cumprimento de seus deveres! 

Quem só trabalha pelo numerário, não pode interpretar o pensamento íntimo do Mestre; não pode, por isso, ser sábio, prudente e fiel. 

O bom servo só faz os desejos e a vontade de seu senhor; o mau servo faz o que lhe apraz. Aquele trabalha para cumprir seus deveres; este, por vil interesse e para satisfazer desejos bastardos. 

Acresce ainda a circunstância de que os servos bons trabalham sempre, trabalham sem cessar, pois sabem que trabalhador da última hora não é o que chega por último, mas sim o que trabalha até a última hora, e não regateia esforços para que todos os bens que lhe foram concedidos sejam postos em ação, estejam em movimento para vencerem juros. 

O que nos foi confiado, não o foi para ser enterrado ou guardado, como aconteceu ao “talento” entregue ao mau operário, porém, sim, para ser por nós aproveitado e aproveitado pelos nossos semelhantes! 

Por isso, cada um responsável pelo que lhe é dado; a quem muito é dado, muito se lhe pedirá; a quem pouco é dado, pouco se lhe pedirá. 

Todas as parábolas de Jesus são exortações, convites, conselhos, mandamentos para a observância dos seus ensinos, mas exclusivamente dos seus ensinos, desembaraçados dos enxertos humanos e dos preceitos e mandamentos das igrejas de pedra. 

O dia do Senhor é sempre hoje, e sua Palavra está sempre guiando e ensinando aos que a Ele se chegam com boa vontade para aprenderem suas inestimáveis lições! 

O que disser, pois, “meu senhor tarda a vir”, não é um homem-espírito, mas, sim, um ser animal que ainda não pode ultrapassar as barreiras que separam o instinto da inteligência, a vida do corpo, da vida da alma, o reino do mundo, do reino de Deus! 

Finalmente, os servos bons distinguem-se dos servos maus como se distinguem as laranjas; pela sua doçura.

Parábola das bodas

“De novo começou Jesus a falar em parábolas, dizendo-lhes: o Reino dos Céus é semelhante a um rei, que celebrou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a chamar os convidados para a festa, e estes não quiseram vir. Enviou ainda outros servos com este recado: Dizei aos convidados: Tenho já preparado o meu banquete; as minhas reses e os meus cevados estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Mas eles não fizeram caso e foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; e os outros agarrando os servos os ultrajaram e mataram. Mas irou-se o rei, e mandou as suas tropas exterminar aqueles assassinos e incendiar a sua cidade. Então disse aos servos: As bodas estão preparadas, mas os convidados não eram dignos; ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos, e chamai para as bodas a quantos encontrardes. Indo aqueles servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala nupcial ficou cheia de convivas. Mas, entrando o rei para ver os convivas, notou ali um homem que não trajava veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ele, porém, emudeceu. Então o rei disse aos servos: atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mateus, 22:1–14).

O Cristianismo como o Espiritismo, representa a celebração das bodas de um grande e rico o proprietário, cujo pai não poupa trabalho, sacrifício e dinheiro para dar à festa o maior realce e dela fazendo participar o maior número possível de convivas. 

E para que todos se fartem, se satisfaçam e se alegrem, o senhor das bodas apresenta-lhes lauta mesa com variadas iguarias, não faltando música e discursos que exaltam o sentimento e a inteligência. As iguarias representam os ensinos espirituais; assim como aquelas satisfazem e fortalecem o corpo, estes mantêm e vivificam o Espírito. 


A Parábola das Bodas é uma alegoria, uma comparação do que se verificava naquela época com o próprio Jesus Cristo. Os primeiros convidados foram os doutos, os ricos, os sábios, os aristocratas, os sacerdotes, porque ninguém melhor do que estes estavam em condições de participar das bodas fazer-se representar naquela festa soleníssima para a qual o Rei dos Céus sem medir nem pesar sacrifícios, havia mandado à Terra o seu Filho, de quem queria celebrar condignamente as bodas. 

E quem poderia melhor apreciar Jesus Cristo e participar de suas bodas, admirando a grande sabedoria do Mestre, seja na cura dos enfermos, seja nos prodigiosos fenômenos de materialização e desmaterialização por Ele operados, como a multiplicação dos pães e dos peixes, a manifestação do Tabor, a dominação dos elementos e suas sucessivas aparições depois da morte? Quem estava mais apto para compreender o Sermão do Monte, o Sermão Profético, o Sermão da Ceia, seus Ensinos, suas Parábolas, senão os doutores, os rabinos, os sacerdotes? Seriam os pescadores, os carpinteiros, os roceiros, as mulheres incultas? 

Infelizmente, porém, o que aconteceu ontem é o que acontece hoje: esta gente, toda ela se dá por escusada: uns porque têm de tratar do seu campo, outros do seu negócio; outros ainda há, como acontece com o sacerdócio romano e protestante, que agarram os servos encarregados do convite, ultrajam-nos, e, se os não matam, é porque temem o Código Penal, que vigora na época nova em que nos achamos. 

Que fará o Senhor desta gente que não quer ouvir o seu chamamento, nem aquiescer aos seus reiterados convites? Quem é o culpado, ou quem são os culpados de estarem, atualmente, festejando as bodas indivíduos sem competência nenhuma para a execução dessa tarefa? Quais são os responsáveis por haverem tomado lugar na mesa do banquete até pessoas sem o traje nupcial, sem a veste apropriada para tal cerimônia? 

Se a Parábola das Bodas não tivesse sido proferida para as eminências religiosas e científicas do tempo de Jesus, serviria perfeitamente para as de hoje, que repudiam e combatem o Espiritismo. Entretanto, o fato é que os indoutos, os pequenos, os humildes de hoje, como os indoutos e humildes de ontem, estão levando de vencida toda essa plêiade de sábios e portentosos; e mesmo sem letras, sem representação e sem veste, auxiliados pelos poderes do Alto, estão concorrendo eficazmente para que as Bodas sejam bem festejadas e concorridas! 

Parábola dos lavradores maus

“Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou aí um lagar, edificou uma torre e arrendou-a a uns lavradores e partiu para outro país. Ao aproximar-se o tempo dos frutos, enviou seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam. Estes, agarrando os servos, feriram um, mataram outro e a outro apedrejaram. Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos do mesmo modo. Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito ao meu filho. Mas, os lavradores, vendo-o, disseram entre si: este é o herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança: e, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados, e arrendará a vinha a outros, que lhe darão os frutos no tempo próprio.” (Mateus, 31:33–42; Marcos, 12:1–9; Lucas, 20:9–16).

Esta parábola é a prova da inigualável presciência do Filho de Deus, assim como é a magistral sentença que se havia de cumprir no nosso século contra os “rendeiros infiéis”, que têm devastado a nossa seara. 

Um proprietário plantou uma vinha, cercou-a com um tapume feito de ramos e troncos de árvores; assentou um lagar (local com todos os petrechos para a fabricação de vinho) e edificou uma “torre” (grande edifício com proteção contra os ataques inimigos). De maneira que a fazenda estava completa, tudo preparado: terras de sobra, parreiras em grande quantidade, lagar, tanques, tonéis — tudo o que era preciso para a fabricação do vinho. Mas, tendo de ausentar-se o proprietário, arrendou a herdade a uns lavradores; no tempo da colheita dos frutos mandaria receber o produto do arrendamento, ou seja, os frutos que lhe tocavam. 

Por ocasião da primeira colheita, o senhor da vinha mandou que seus empregados fossem receber os frutos que lhe tocavam. Os rendeiros, em vez de darem conta do depósito; que lhes fora confiado, agarraram os emissários, feriram um, apedrejaram outro e mataram o seguinte. 

Na outra colheita, o proprietário da herdade tornou a mandar outros emissários, que tiveram a mesma sorte dos primeiros. 

Parábola dos dois filhos

“Um homem tinha dois filhos: chegando ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele respondeu: Irei, Senhor; e não foi. E chegando ao segundo, disse-lhe o mesmo. Porém este respondeu: Não quero; mais tarde, tocado de arrependimento, foi. Qual dos dois fez a vontade do Pai? Responderam eles o segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro que vós no Reino de Deus.” (Mateus, 21, 28–31).

Estas duas personalidades revelam perfeitamente as suas qualidades em suas palavras e ações. 

O primeiro filho, convidado pelo pai a trabalhar na sua vinha, disse que ia mas não foi. O segundo disse que não ia, mas foi. O primeiro é a personificação da crença (credo) sem obras. O segundo é o tipo do homem inteligente que, negando-se ao trabalho espiritual, depois de haver raciocinado e tirado suas conclusões, transformou o não em sim, não com a palavra abstrata, a crença, a obediência cega, mas por um esforço intelectual e pelas obras que deliberou fazer, “trabalhando na vinha”. 

Ensina esta parábola que a vontade de Deus é que trabalhemos não só em proveito nosso, mas em proveito dos nossos semelhantes: ao passo que não é vontade de Deus crermos sem trabalho, isto é, cegamente, sem obras. 

A crença cega é a crença dos anciãos do povo, dos velhos rotineiros e dos sacerdotes, pois são estes que Jesus disse que os publicanos e as meretrizes lhes eram ainda superiores, tanto assim que os precederiam no Reino dos Céus. 

A parábola, na parte que se refere ao filho que disse: “irei, mas não foi”, entende também com esses anciãos e sacerdotes que, assumindo a tarefa de guiar para a verdade, os moços e os que lhes estão sujeitos, se mantêm num exclusivismo condenável, apagando, até das almas, alguma centelha de fé que lhes foi doada. 

Enfim, o filho que tardou, e disse que não ia, mas foi, entende com esses publicanos e meretrizes que demoram, como é sabido, mas, afinal, mudam de vida e se tornam, as mais das vezes, grandes obreiros da seara divina!  


Parábola da figueira estéril

“Pela manhã, ao voltar Jesus à cidade, teve fome. E vendo uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas; e disse-lhe: Nunca jamais nasça de ti frutos, no mesmo instante secou a figueira. E vendo isto os seus discípulos maravilharam-se e perguntaram: Como é que repentinamente secou a figueira? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que se tiverdes fé e não duvidardes, fareis não só o que foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Levanta te e lança-te ao mar, isto será feito; e tudo o que, com fé, pedirdes em vossas orações, haveis de receber.” (Mateus, 21:18-22; Lucas, 13:6-9).

Qual lições aprendemos nestes poucos versículos do Evangelho! Se encararmos a narrativa pelo lado científico, observaremos a morte de uma árvore em virtude de uma grade descarga de fluidos magnéticos, que imediatamente secaram a mesma. 

A psicologia moderna, com suas teorias edificantes e substanciosas, e com seus fatos positivos, mostra-nos o poder do magnetismo que utiliza os fluidos do Universo para destruir, conservar e vivificar. 


A cura das moléstias abandonadas pela ciência oficial e a mumificação de cadáveres, pelo magnetismo, se acham registrados nos anais da história, não deixando mais dúvida a esse respeito. 

No caso da figueira não se trata de uma conservação mas, ao contrário, de uma destruição, semelhante à destruição das células prejudiciais e causadoras de enfermidades, como na cura dos dez leprosos, e outras narradas pelos Evangelhos. 

A figueira não dava fruto porque sua organização celular era insuficiente ou deficiente, e Jesus, conhecendo se mal, quis dar uma lição a seus discípulos, não só para lhes ensinar a terem fé, mas também para lhes fazer ver que os homens e as instituições infrutíferas, como aquela árvore, sofreriam as mesmas conseqüências. 

Pelo lado filosófico, realça da parábola a necessidade indispensável da prática das boas obras, não só pelas instituições, como pelos homens. Um indivíduo, por mais bem vestido e mais rico que seja, encaramujado no seu egoísmo, é semelhante a uma figueira, da qual, em nos aproximando, não vemos mais que folhas. 

Parábola do credor incompassivo

“Então Pedro, aproximando-se de Jesus lhe perguntou: Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. Por isso o Reino dos Céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos. E tendo começado a ajustá-las, trouxeram um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo, porém, o servo com que pagar, ordenou o seu senhor que fossem vendidos ele, sua mulher, seus filhos e tudo quanto possuía, e que se pagasse à dívida. O servo, pois, prostrando-se, o reverenciava dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei tudo! E o Senhor teve compaixão daquele servo, deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida. Tendo saído, porém, aquele servo, encontrou um de seus companheiros, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo-lhe: Paga o que me deves! E este, caindo-lhe aos pés, implorava: Tem paciência comigo, que te pagarei! Ele, porém, não o atendeu; mas foi-se embora e mandou conservá-lo preso, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus companheiros o que se tinha passado, ficaram muitíssimo tristes, e foram contar ao senhor tudo o que havia acontecido. Então, o senhor chamando-o, disse-lhe: Servo malvado, eu te perdoei toda aquela dívida, porque me pediste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive de ti? E irou-se o seu senhor e o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim também meu Pai Celestial vos fará, se cada um de vós do íntimo do coração não perdoar a seu irmão.” (Mateus, 18, 21–35).

No Sermão do Monte, segundo Mateus, versículo 5 a 15, ensinou Jesus a seus discípulos e à multidão que se apinhava para ouvir os seus ensinos, a maneira como se deveria orar; e aproveitou o ensejo para resumir num excelente e substancioso colóquio com Deus, a súplica que ao Poderoso Senhor devemos dirigir cotidianamente. 

O Mestre renegava as longas e intermináveis rezas que os escribas e fariseus do seu tempo proferiam, de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Observou a seus ouvintes que tal não fizessem, mas que, fechada a porta do seu quarto, dirigissem, em secreto, a súplica ao Senhor. 

A fórmula de oração que lhes deu encerra, ao mesmo tempo, pedidos e compromissos que teriam de assumir os suplicantes, e dos quais se destaca o que constitui objeto dos ensinos que se acham contidos na Parábola do credor incompassivo: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” 

Do cumprimento ou não desta obrigação, depende o deferimento ou indeferimento do nosso requerimento. Além disso, nesse dever se resume toda a confissão, comunhão, extrema-unção, etc. 

Aquele que confessar, comungar, receber a unção, mas não perdoar os seus devedores, não será perdoado; ao passo que, o que perdoar será imediatamente perdoado, independentemente das demais praxes recomendadas pela Igreja de Roma, ou quaisquer outras Igrejas, como meio de salvação.