MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Metempsicose
611. O terem os seres vivos uma origem comum no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose?
“Duas
coisas podem ter a mesma origem e absolutamente não se assemelharem mais tarde.
Quem reconheceria a árvore, com suas folhas, flores e frutos, do gérmen informe
que se contém na semente donde ela surge? Desde que o princípio inteligente
atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período da humanização,
já não guarda relação com o seu estado primitivo e já não é a alma dos animais,
como a árvore já não é a semente. De animal só há no homem o corpo e as paixões
que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente à
matéria. Não se pode, pois, dizer que tal homem é a encarnação do Espírito de
tal animal. Conseguintemente, a metempsicose, como a entendem não é
verdadeira.”
Metempsicose
A nossa origem é uma só;
viemos do mesmo princípio inteligente, que no passar dos tempos foi se
transformando pela força da lei do progresso. Configurando o corpo físico, podemos
analisar a ameba unicelular, que através dos bilhões de anos entrou na corrente
transformatória para se expressar como homem, como corpo físico animal
sublimado, em se referindo aos reinos da natureza.
No caso do Espírito, em se
partindo da mônada espiritual, vemos que ela veio crescendo com os tempos,
deixando para trás eras e mais eras, chegando na plenitude do seu
desenvolvimento, como Espírito humano na Terra, onde deve reencarnar muitas
vezes, nascendo e renascendo quantas vezes forem necessárias para a sua
iluminação interna. Entrementes, essa luz de Deus, que teve seu começo como
fluido divino que semeado no corpo térmico dos mares por mãos angélicas, sob o
comando de Nosso Senhor Jesus Cristo, passou a crescer igualmente mudando de
formas, mudando de posições, mudando de ambientes.
Ela não regride, como querem
alguns espiritualistas, acreditando na metempsicose. Essa ideia pode ser, com o
nosso respeito ao assunto, uma psicose alimentada no passado, quando alguns dos
profetas e videntes observaram Espíritos com as formas de animais. O Espírito
pode tomar a forma que os seus sentimentos possam comandar, porém, isto não
quer dizer que os Espíritos inferiores tomem a forma de animal para nascerem em
corpos iguais a essas formas.
A Doutrina Espírita, sendo
uma filosofia de mais profundidade do que as outras, usando a mediunidade para
revelar a verdade, vem nos informar da vida das almas nos planos em que elas
habitam, e os próprios instrumentos encarregados das reencarnações dos animais,
dizem que a alma que já viveu em corpos de homens não volta em corpos de animais.
Na velha Índia, os hindus ainda adoram a vaca como sendo animal santo e
superior aos homens, talvez pensando nessa doutrina da metempsicose, mas a
adoração tem outro objetivo no profundo da mente: é para que eles tivessem
respeito pela criação de Deus, e começassem a desprender-se do comércio do
animal, mostrando ao homem ganancioso e glutão que podemos muito bem viver sem
nos alimentarmos dos animais.
Não é correto que um
Espírito que já alcançou a razão possa voltar ao corpo de uma vaca, voltando de
novo a comer capim, e ficar prisioneiro em um corpo que regredisse seus dons já
aflorados em outro reino superior. O Espírito avança, vai perdendo certas
relações com o mundo em que viveu antes, os laços vão se desfazendo, para que a
alma principie a libertação, mesmo dos traços físicos. Os Espíritos puros não
suportam viver com facilidade em corpos de homens inferiores e, para que isso
aconteça, haverá na gênese modificações de que o futuro nos dará conhecimento.
A verdade, como já sabes, deve ser revelada gradativamente, porque a ignorância
entre os homens, que não se generalize, é muito grande, e pode criar discussões
estéreis, sem nenhum proveito para a educação dos mesmos.
Apareceu-lhes Elias e Moisés
e estavam falando com Jesus. (Marcos, 9:4)
A Doutrina dos Espíritos
reconhece que foi uma comunicação comum em seu seio, coisa natural como as que
se processam entre seus profitentes. Naquela época, não se poderia dizer como
nos dias que correm não se pode ainda, clarear toda a verdade.
Somente a verdade mais
acentuada torna livre as criaturas.
Fonte:
O livro dos
Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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