AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Desigualdade das aptidões
804. Por que não outorgou
Deus as mesmas aptidões a todos os homens?
“Deus
criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos
tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A
diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e
da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se
aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões
diversas.
Necessária
é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a
execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas
forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada
qual tem seu papel útil a desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos
os mundos, necessário se torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na
sua maioria, foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o
exemplo.” (361)
Aptidões diferentes
Deus, sendo justo, criou todos iguais, com as mesmas aptidões. As desigualdades que se veem, existem porque os Espíritos se encontram em escalas diferentes uns dos outros. Toma-se necessário que compreendamos essas diferenças pela maturidade da Espírito.
As aptidões diferentes não
são doadas por Deus a uns e a outros não. Nós recebemos os dons e temos que
desenvolvê-los. Se se precisa de algo que só o próximo pode proporcionar, é
porque ainda se carece do desenvolvimento de certos dons. A força da
necessidade faz com que nasça a amizade, que leva ao amor que irá gerar fortes
laços de união.
Se todos já tivessem seus
dons despertados, o egoísmo e o orgulho poderiam se alastrar com muita
facilidade nos corações, porém, as aptidões são diversas, e sempre nos falta
algo que encontramos em outros. Eis porque vivemos em sociedade. Mesmo o
egoísta não deseja viver isoladamente, e o orgulhoso quer estar sempre rodeado
de admiradores.
O progresso só acontece com
os homens vivendo em sociedade. Um cientista precisa de todos aqueles que o
rodeiam para as suas devidas experiências. Assim acontece em todos os segmentos
da comunidade. Ninguém pode viver sozinho, nem os animais, nem as plantas. O
próprio corpo humano é uma sociedade de órgãos que devem trabalhar em harmonia,
para que a paz se instale no complexo humano. Para se formar um lar, é preciso
mais de uma pessoa, e somente o amor tem o condão de ensinar os familiares a
viverem em paz espiritual.
As aptidões diferentes
obrigam os seres humanos a viverem em conjunto, no entanto, em se reunindo,
pode haver, e sempre há, posicionamentos que geram inimizades, e para tanto, é
necessário que se busquem recursos no Cristo, para apaziguar os ânimos. É bom
que busquemos primeiro a oração, para que o ambiente melhore e surja o perdão.
Observemos as anotações de Marcos, no capítulo onze, versículo vinte e cinco,
assim nos informando das palavras do Mestre:
E quando estiverdes orando,
se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai Celestial vos
perdoe as vossas ofensas.
O homem superior esquece
todas as ofensas, mas o inferior ainda guarda mágoas que o fazem sofrer. O
perdão é terapia divina, na divina expressão de amor. Assim, também, a
fraternidade.
Não devemos maltratar o
próximo, pois ele tem muito a nos dar, e que ainda não despertou em nossos
corações. Somos todos iguais, pela fonte que nos gerou, e o Criador não se
esqueceu de nos ofertar todo o Seu amor, que multiplica virtudes e que
individualiza dons espirituais, obrigando-nos às trocas de valores espirituais
e morais, em gestos elevados, assegurando-nos a união com todos os seres e
todas as coisas.
Quem na Terra não precisa
dos outros reinos da natureza para viver? Eles nos ofertam tudo que podem, sem
preço estipulado. Qual o dever do homem para com eles? Amá-los na profundidade
do seu amor. Isto é amar a Deus em todas as coisas.
Todos os homens têm as
mesmas aptidões; as diferenças que se observam é que uns já despertaram e
outros estão ainda dormindo, mas, na verdade, todos eles serão despertados pela
força do progresso, acionados pelas mãos do tempo. Deus criou todos iguais; o
que ocorre é que uns estão ainda nascendo, outros na juventude, e outros já
adultos. Quem tem olhos de ver, que observe e analise essas diferenças.
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