AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Desigualdade das aptidões
805. Passando de um mundo
superior a outro inferior, conserva o Espírito, integralmente, às faculdades adquiridas?
“Sim,
já temos dito que o Espírito que progrediu não retrocede. Poderá escolher, no
estado de Espírito livre, um invólucro mais grosseiro, ou posição mais precária
do que as que já teve, porém tudo isso para lhe servir de ensinamento e
ajudá-lo a progredir.” (180)
A.K.:
Assim,
a diversidade das aptidões entre os homens não deriva da natureza íntima da sua
criação, mas do grau de aperfeiçoamento a que tenham chegado os Espíritos
encarnados neles. Deus, portanto, não criou faculdades desiguais; permitiu,
porém, que os Espíritos em graus diversos de desenvolvimento estivessem em
contacto, para que os mais adiantados pudessem auxiliar o progresso dos mais
atrasados e também para que os homens, necessitando uns dos outros,
compreendessem a lei de caridade que os deve unir.
Faculdades adquiridas
As faculdades adquiridas pelas almas não são esquecidas em tempo algum, mesmo que estas voltem à carne pela lei da reencarnação, e não possam expressar seus valores, com toda a plenitude, por provações ou opção. Elas guardam no centro da vida o que aprenderam por experiências.
Não existe regressão do
Espírito; o que dá a impressão de recuo é o fato de que ele veste uma roupa
carnal, deformada pela sua própria escolha e exigência cármica. Pode, bem
assim, reencarnar em mundos inferiores, com a tarefa de ajudar aos que ali se
encontram em estado de sono. Os superiores têm o dever universal de dar as mãos
a quem se encontra na retaguarda.
O Espírito, ao passar de um
mundo superior para um inferior, conserva sua superioridade, mas nem sempre
pode expressá-la no seu todo, nas suas andanças como mestre e guia. Todavia, o
que ele adquiriu, isso ele nunca perde e ninguém toma; é conquista dos seus
esforços individuais, é tesouro divino que a eternidade sabe conservar em seu
coração.
Num exemplo bem singelo,
quando se vai em busca de alguém que se interessa proteger, em cadeias,
hospitais ou outros lugares onde há muitas provações, não se perde os valores
morais e espirituais. é o que se passa com os Espíritos benfeitores, que descem
de planos superiores para nos assistirem nas nossas necessidades. Eles
conservam seus valores, mesmo trabalhando nas sombras. Assim se passa com as
almas redimidas que aceitam, ou escolhem, a tarefa de ajudar aos homens, por
vezes os mais ignorantes. As aptidões por eles adquiridas são luzes benfeitoras
que servem para clarear os que vivem ainda no escuro, dirigidos pela
ignorância.
A diversidade de aptidões
corresponde ao despertamento das qualidades gradativamente. É uma lei natural
que se processa em todas as criaturas de Deus, pela presença do amor universal
do Criador. O tempo é muito importante para o despertamento dos valores
espirituais nas almas. Depois que os Espíritos despertarem todos os seus
valores, aí ocorre a grande transformação em suas vidas; desaparece dos seus
caminhos o próprio tempo, e o espaço deixa de existir. Eis aí o Espírito se
libertando das leis das quais não mais precisa. A fé avoluma-se de tal forma na
alma, que acontecem muitas maravilhas, como Marcos anotou no capítulo onze,
versículo vinte e três:
Porque em verdade vos
afirmo, que se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não
duvidar em seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
Com o desabrochar dos
talentos internos do Espírito, surge nos céus da consciência um sol que se
chama Fé, força poderosa que Jesus usou muito na Terra, quando teve que curar
os enfermos e levantar os caídos, mostrando ao povo a presença de Deus no coração
do homem, pela fé. Deus permitiu que os homens, em graus diversos,
manifestassem seus dons, e sentissem que dentro de si existem todos os recursos
de vida. No futuro, pelo poder da fé, veremos que poderemos ser o nosso próprio
médico, porque da nossa mente partirão ordens de harmonia que os corpos
obedecerão na fluência do nosso verbo de luz.
Se sabemos que nada perdemos
do bem que adquirimos, qual o nosso dever? Trabalhar para despertarmos novas
aptidões e exercitá-las onde quer que estejamos, em forma de caridade, onde não
falte o amor ensinado pelo Divino Mestre de todos nós, Jesus Cristo.
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