AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Desigualdades sociais
806. É lei da Natureza a
desigualdade das condições sociais?
“Não;
é obra do homem e não de Deus.”
a) - Algum dia essa
desigualdade desaparecerá?
“Eternas
somente as leis de Deus o são. Não vês que dia da dia ela gradualmente se
apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar.
Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da
grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais
ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição
social.”
Condições sociais
As condições sociais, como as desigualdades entre os homens, não são obra de Deus. São condições temporárias necessárias, devido à desigualdade de posições das criaturas, no que se refere à escala de aperfeiçoamento das almas. Essa condição, repetimos, é passageira, pois somente as leis estabelecidas por Deus são imutáveis no tempo e no espaço.
O bom observador notará
sempre, no correr do tempo, que as condições humanas vão se transformando
lentamente, e sempre para melhor. Todos os povos vão absorvendo, pela força do
progresso espiritual, leis mais justas e mais humanas, vendo-se em seus
semelhantes, em outra dimensão de vida. Mesmo com as facilidades que o mundo
oferece hoje para o homem errar, ele acaba acertando mais, por ter sido feito
para a glória da própria vida.
O orgulho nos parece que
cresce mais com o egoísmo, antiga chaga que já floresceu muito, mas que agora
está sendo combatida pelos seres humanos em diversas escolas filosóficas e
religiosas, e pela maior escola da vida, que se chama maturidade espiritual.
Os que desconhecem as leis
de Deus e a existência do Todo Poderoso se mostram duvidosos no que tange à
posição do homem ante a eternidade. Não encontrando salvação para o mundo e
para sua humanidade, são profetas do pessimismo, no entanto, para Deus não
existe o impossível. Ele age no momento adequado e a tudo conserta, usando os
próprios homens de boa vontade. As Suas leis corrigem todos os deslizes, usando
dos feitos humanos como exemplos e lições para os que incorrem em erro.
As desigualdades que se veem
nos povos, o são por merecimento de cada um. Não que Deus abençoe uns mais que
os outros; é devido à escala a que pertence, é força espiritual da justiça, que
marca a lei de reencarnação para todas as almas em trânsito na Terra. Quem
deseja viver fora da faixa a que pertence, é que sofre as consequências da
violência acionada por si mesmo; a justiça é o mesmo amor que protege a todos.
No Evangelho de João poderemos ler o seguinte, no capítulo onze, versículo dez:
Mas, se andar de noite,
tropeça, porque nele não há luz.
E quem anda fora do nível em
que deve viver por justiça, somente encontra trevas, por desconhecer o que deve
receber e sentir por misericórdia de Deus. Não queiramos ser o que não somos.
Cada criatura tem dentro de si um vigia, que lhe dá conhecimento dos seus
poderes e dos seus limites, em tudo que faz e pensa. Mesmo nas condições
sociais em que se encontra, por que avançar para as lutas sem as devidas armas
com que possa se defender? O que acontece com um médico que não se aprimorou na
arte de curar?
As desigualdades nos mostram
até onde o outro já chegou, e é um convite para que possamos ir também, porque
a vida oferece ensejo para todas as criaturas.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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