O livro dos espíritos. Q. 811

AS LEIS MORAIS

CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE

Desigualdade das riquezas

811. Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?

“Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.”

a) - Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade.

Que pensais a respeito?

“São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.”

Igualdade de riquezas

A igualdade que muitos entendem seja pregada pelo Cristianismo, não deve ser entendida como a distribuição em partes iguais das riquezas entre todas as almas que habitam este planeta. O socialismo visto no Evangelho é aquele que distribui com justiça a todas as pessoas, que mostra seus direitos e junto delas faz com que elas compreendam com respeito os seus deveres ante a sociedade.

Poder-se-ia distribuir tudo em partes iguais para as criaturas, se todas elas fossem do mesmo nível espiritual em todos os campos de entendimento, o que é impossível. Não existe isso em nenhum mundo habitado. A distribuição, neste caso, é de acordo com as necessidades de cada um. Neste aspecto da justiça, todos ficarão alegres por receber o de que necessitam para as suas necessidades, materiais e espirituais.

Se Deus colocasse os Espíritos em um mundo do mesmo nível de evolução, ninguém aprenderia com ninguém. A Inteligência Suprema permite as desigualdades de todas as ordens para que uns sirvam de experiências para outros. Os que recebem mais, têm maiores necessidades, por evolução, e fazem uso do que lhes foi confiado, com critério, para o bem geral. No entanto, os que habitam a Terra estão todos passando por fases de grandes provações, expiando duros erros individuais e coletivos, de modo a todos sofrerem as reações de todas as ações em conjunto.

O Espiritismo, essa bênção do Mais Alto, veio em socorro da humanidade. é a volta de Jesus para aliviar o fardo, e fazer leve o jugo da humanidade, mostrando os caminhos a seguir com toda a amplitude do bem e do amor. Ele veio para mostrar aos povos que devem sofrer com paciência, procurando meios para se curarem.

Jesus passou por duros sofrimentos, mostrando aos homens o que é levar uma cruz, exemplificando o bem e adquirindo valores imortais para a alegria futura. Lucas nos lembra bem, no capítulo vinte e quatro, versículo vinte e seis, estas palavras:

Porventura não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?

O homem, para entrar na sua glória, no seu próprio céu, haverá de padecer, porque somente a dor, esse anjo divino, desperta os corações para a luz da vida. Ela é, pois, o ferrão que nos faz trilhar o caminho certo.

Para nos provar que não é possível viverem todos na perfeita igualdade, nos mostra Deus a natureza: podes observar que entre as folhas, que são incontáveis nas árvores, não se encontra uma perfeitamente igual à outra, nem as pedras, nem os animais, nem os homens; a igualdade é no fundo, mas na realidade se pode observar as diferenças na conscientização dessas necessidades. Das coisas ao Espírito, luz ainda incompreendida por nós, se constata diferenças, como acontece com as impressões digitais. Para se compreender os Espíritos e a vida, necessário se faz que compreendamos o seu criador.

A igualdade absoluta só é possível no raciocínio dos que não têm olhos para ver e sentir as leis criadas por Deus. A igualdade que mais tarde irá reinar no mundo e fazer os homens felizes, não será a igualdade absoluta, mas a justiça em todos os departamentos da vida humana. é o que se vive nas colônias espirituais, o que muito nos alegra e nos faz felizes em todas as estâncias abençoadas por Deus. Estudemos as leis do Criador, para sairmos da escravidão e nos tornarmos almas livres na liberdade de Deus.

Fonte:

O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes. 

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