AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
As provas de riqueza e de miséria
816. Estando o rico sujeito
a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado, de mais meios de fazer
o bem?
“Mas,
é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável.
Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante
para si unicamente.”
A.K.:
A
alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes
são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais
rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais
abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta
o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu
poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à
matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse:
“Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha
do que entrar um rico no reino dos céus.” (266)
O rico e a caridade
O rico certamente tem
melhores chances de prestar serviços ao próximo, de fazer a mais bela caridade
que se possa praticar, que é aquela de oportunizar ao pobre a ganhar o seu
sustento, para viver feliz com a sua família. No entanto, é o que não faz a
maior parte dos ricos; uns são obrigados a fazê-lo porque dependem do trabalho
daqueles, e não multiplicam seus bens sem os braços dos chamados miseráveis.
Com a riqueza, as suas
necessidades materiais crescem e eles gastam o que não deveriam em viagens
pouco úteis a lugares que os atraem, inspirados na vaidade e mesmo no orgulho.
Assim, vão embrutecendo cada vez mais seu sentimento de caridade, que deveria
ser exercitado com aqueles que os ajudam a ganhar a fortuna. Enquanto gastam
milhões em jornadas para conhecer outros povos, seus assalariados passam fome,
frio e, por vezes, não têm teto, nem os seus filhos têm escolas. É certo que
muitos vieram com a provação da pobreza, mas o que é desperdiçado poderia
amenizar seus sofrimentos.
Quando o rico se lembra da
caridade, ele exige, muitas vezes, tanta coisa das pessoas e das casas de
caridade, que esfriam esse sentimento no coração. Não sabe o rico que a riqueza
e a alta posição que ela traz é porta para o despenhadeiro das imundícies
morais, o incentivo para a negação de tributos e o endurecimento do coração
para com a sociedade submissa, que o ajuda a viver na fartura.
O mau rico nunca quer saber
das coisas espirituais. Acha que o dinheiro faz tudo e oferta, por vezes,
alguma coisa para as instituições religiosas, como porta para a salvação, sem
saber que não é por esse meio que se salva e, sim, pela caridade que não
desfigura o amor. Somente pode se salvar, se aplicar a autodisciplina,
reformando os velhos sentimentos das paixões inferiores, quando apagar o
orgulho e o egoísmo, quando a renúncia atingir seu coração, de modo a levá-lo a
administrar seus bens sem ser apegado a eles.
Jesus, o dono de tudo, o
dirigente do planeta, disse: "O filho do homem não tem uma pedra para
reclinar a cabeça". O rico do mundo tem em suas mãos inúmeros meios de
fazer o bem, mas faz, quase sempre, o mal com o ouro que possui.
A riqueza e o poder podem
dar origem a todo o tipo de paixões inferiores, desvirtuando os mais elevados
sentimentos. Ricos, deveríeis falar qual Francisco de Assis, ante a lembrança
do Cristo:
- "Senhor, que quereis
que eu faça?" Em seguida, abrir os ouvidos para escutar a resposta do
Mestre e passar a viver o que Ele diz no Evangelho da vida; fazer a caridade e
praticar o amor, aquele que emana de Deus, nosso Pai.
Se é difícil um rico entrar
no reino do céu, o pobre não tem facilidade também, porque a todos os dois
falta maturidade espiritual. Somente conhecendo a verdade pode-se ser livre, de
modo que a consciência fique imperturbável para sempre. E para conhecermos o
Espírito livre, Lucas registrou a fala do Mestre, no capítulo doze, versículo
vinte e nove:
Não andeis, pois, a indagar
o que haveis de comer ou beber, e não vos entregueis a inquietações.
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