O livro dos espíritos. Q. 823

AS LEIS MORAIS

CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE

Igualdade perante o túmulo

823. Donde nasce o desejo que o homem sente de perpetuar sua memória por meio de monumentos fúnebres?

“Último ato de orgulho.”

a) - Mas a suntuosidade dos monumentos fúnebres não é antes devida, as mais das vezes, aos parentes do defunto, que lhe querem honrar a memória, do que ao próprio defunto?

“Orgulho dos parentes, desejosos de se glorificarem a si mesmos. Oh! Sim, nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações. Elas são feitas por amor próprio e para o mundo, bem como por ostentação de riqueza. Supões, porventura, que a lembrança de um ser querido dure menos no coração do pobre, que não lhe pode colocar sobre o túmulo senão uma singela flor? Supões que o mármore salva do esquecimento aquele que na Terra foi inútil?”

Último ato de orgulho

Os monumentos erigidos nas sepulturas dos poderosos da Terra são impulsionados pelo orgulho e pela vaidade, para mostrar à sociedade que a família do morto é poderosa no domínio do ouro.

O homem, muitas vezes, ainda a caminho da morte, já sente a desilusão dos bens materiais, não se interessando por essa ostentação.

O pobre, neste sentido, é bem mais ajustado, por não sofrer essa perturbação dos que ficaram. Nós temos a dizer que somente levamos para o mundo espiritual o que somos. Felizes daqueles que começaram na Terra a sua reforma de sentimentos, que despertaram para Jesus, nos caminhos do amor e da caridade,os valores do Espírito. Não é preciso ser rico para encher o celeiro do coração; é ter somente boa vontade. O Mestre não tinha onde reclinar a cabeça, entretanto, foi o mais rico de todos os homens, na condição de Filho de Deus, igual a todos os homens.

Os grandes monumentos de pedra erigidos nos "campos santos", poderiam ser transformados pelas famílias ricas, antes da sua feitura, em casas para os que se encontram ao relento. Feito em nome do morto, esse gesto seria um alívio para a sua consciência, como também para os que ficaram. O custo de um túmulo corresponde à alimentação que poderia ser oferecida a muitos famintos, assim como muitos outros gastos inconvenientes que se fazem na Terra, por orgulho e vaidade, por ignorância e prepotência. O orgulho dos parentes atinge o desejo de glorificar a si mesmos, pouco pensando no bem-estar de quem já foi para o outro mundo.

O homem de bem não precisa buscar a sua própria glória; ela vem, por lei, em busca dele. Vejamos o que João anotou no capítulo oito, versículo cinquenta: Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.

Os poderosos da Terra não desconfiaram de que as glórias do mundo são incômodas e passageiras, que não correspondem às necessidades do coração. O sábio nunca procura se mostrar, mesmo fazendo o bem à sociedade, por saber que todos os feitos, bons e maus, serão revelados pela própria natureza por ordem da lei, que nada deixa em segredo que não venha a ser revelado. O orgulho e o egoísmo são tão fortes e poderosos que acompanham quem os possui mesmo depois do túmulo, envolvendo o Espírito nas suas sugestões inferiores e levando-o a sofrer todos os tipos de torturas que eles possam imprimir em sua consciência.

É por isso que a reencarnação é uma bênção de Deus, pois ela nos dá oportunidade de nos desfazermos destes dois monstros que devoram as oportunidades dos seres humanos e prendem os Espíritos, mesmo no mundo espiritual, em situações difíceis de se libertarem.

Sabemos que nem sempre é pelo morto que os familiares fazem essas demonstrações para que a sociedade veja e, sim, para alimentar o orgulho de família na posição em que se encontram. Infelizes desses homens que ignoram seus destinos. Entretanto, o tempo os educará. Eles morrerão e também ficarão conhecendo a verdade que os libertará dessa ignorância.

Os tempos estão chegando, para o bem da humanidade. Que seja por meios violentos, porém a natureza fará as criaturas despertarem para os valores da alma, tendo o Evangelho de Jesus como fonte da vida, por ordem de Deus.

Fonte:
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes. 

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