AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Igualdade perante o túmulo
824. Reprovais então, de
modo absoluto, a pompa dos funerais?
“Não;
quando se tenha em vista honrar a memória de um homem de bem, é justo e de bom
exemplo.”
A.K.:
O
túmulo é o ponto de reunião de todos os homens. Aí terminam inelutavelmente
todas as distinções humanas. Em vão tenta o rico perpetuar a sua memória,
mandando erigir faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como lhe consumirá
o corpo. Assim o quer a Natureza. Menos perecível do que o seu túmulo será a
lembrança de suas ações boas e más.
A pompa dos funerais não o
limpará das suas torpezas, nem o fará subir um degrau que seja na hierarquia
espiritual. (320 e seguintes)
Pompas dos funerais
É de bom exemplo, quando a
pompa do funeral visa a honrar a memória de um homem de bem. Quanto mais se
vibra para a difusão do amor, mais a luz acende na Terra, em se fazendo fonte
no coração humano. Entrementes, o homem de bem recomenda sempre que não deseja
gastos sem importância para a alma, em seu funeral, indicando outra direção
para os gastos, como seja com alimentos para os pobres, roupas para os nus e
casa para os desabrigados.
As pompas devem se
transformar em caridade onde a luz da beneficência é capaz de enxugar lágrimas
e lembrar aos corações que existe a esperança. O próprio Evangelho nos diz que
devemos deixar os mortos enterrarem os seus mortos.
O legado que o homem de bem
deve deixar, é o de sua vida exemplar. O orgulho e o egoísmo fazem a separação
das criaturas, mas o túmulo os reúne como sendo todos da mesma massa que a
Terra dissolve e transforma em elementos indispensáveis à vida.
Jesus foi o enviado de Deus
para mostrar à sociedade de todo o mundo que todos somos irmãos, filhos do
mesmo Deus de Amor, deixando Seu Evangelho e nele os preceitos de modo a educar
as criaturas, na certeza de que o céu se encontra nos corações, bastando às
almas encontrá-lo.
Enquanto houver a disputa
pelas coisas perecíveis e ilusórias do mundo, a cegueira se acentuará cada vez
mais no que se refere aos valores espirituais. Porém, o tempo traz a maturidade
pelos canais da dor, levando os Espíritos a acordarem para a realidade dos seus
destinos.
Por enquanto, fora da dor
não há entendimento. O homem, no estágio em que se encontra, cria dificuldades
inúmeras para os pobres, que já carregam em seus ombros um peso muito grande.
Mas Jesus, sabendo disso, fala aos seus corações, chamando-os bem-aventurados.
Entretanto, o Mestre não se esqueceu de advertir aos legisladores humanos,
conforme registrado no Evangelho por Lucas, no capítulo três, versículo treze:
Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado.
Todavia, esses homens se
fazem surdos pela força do egoísmo, mas os sofredores avançam, apesar de todo o
peso dos chamados impostos e dízimos, com o Cristo de lado a animá-los na
subida do calvário da vida, com a cruz das provações, porque Ele mesmo trilhou
o caminho da dor, como exemplo de humildade, e ainda perdoou a todos os Seus
ofensores. "Não cobreis mais do que o estipulado" pela consciência.
Dizemos aos pobres, aos sofredores, que os tempos da seleção espiritual estão
chegando e que somente terão a Terra como herança os escolhidos, que podem ser,
igualmente.os ricos, dependendo do modo pelo qual procedem ante a sociedade.
As distinções humanas
terminam no "campo santo", onde o Espírito sente e compreende que nem
mesmo o corpo de carne lhe pertence. A bagagem de bens perecíveis fica com a
Terra para que outros a usem e dela façam bom uso, para não acontecerem coisas
piores no seu roteiro espiritual.
A natureza, que foi feita
pelas mãos do Criador, não vai ouvir pedido dos homens. Ela arregimenta toda a
sua força para cumprir leis estabelecidas por Deus, no empenho de mostrar a
justiça se igualando em todas as criaturas. A reencarnação é lei divina em
todos os mundos, pois é ela que educa o Espírito, destruindo igualmente o
egoísmo e o orgulho de raça e de casta.
Bem-aventuradas as leis que
transformam tudo, porque é na transformação que o amor domina e dirige os
corações para a verdadeira fraternidade. O que esperamos é que as pompas dos
funerais de todo o mundo se transformem, sob a inspiração do Cristo, em
caridade ajustada no amor e na justiça.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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