AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO X – LEI DE LIBERDADE
Liberdade natural
825. Haverá no mundo
posições em que o homem possa jactar-se de gozar de absoluta liberdade?
“Não, porque todos precisais
uns dos outros, assim os pequenos como os grandes.”
Liberdade natural
Liberdade é um ponto de
difícil entendimento, na interpretação das leis naturais. O homem não pode ser
livre, do modo que pensa ser; toda liberdade é relativa aos Espíritos, de
conformidade com a sua evolução espiritual.
Ninguém pode glorificar-se ante os seus irmãos de ter plena liberdade, porque ninguém pode viver só; uns precisam dos outros e todos de Deus. Como, desse modo poder ufanar-se de que se é livre, de que não se precisa dos irmãos, quando se vive em conjunto?
Todos temos uma liberdade
natural, entretanto, juntamente com ela deve haver o respeito às criaturas,
nossas irmãs, e os nossos deveres para com elas. Ultrapassar os limites até
onde podemos ir, é violência aos que nos cercam e que nos ajudam a viver. Como
podem os grandes viverem sem os pequenos e os pequenos sem os grandes, se todos
fazem parte de um todo? Além disso, somos eternos dependentes de Deus, pela
aliança em Cristo.
Somos muito crianças para
entendermos verdadeiramente todas as leis criadas por Deus e que nos dirigem a
todos, e existem muitas que ainda não nos foram reveladas, por não suportarmos
sua ação em nossos destinos. Convém estudarmos o que suportamos agora e confiar
em Jesus, que ele, pelo Seu amor ao rebanho, faz descer a revelação quando
estivermos preparados para tais eventos de luz.
Gabar-nos de que fazemos o
que queremos, pela posição que ocupamos quando no mundo, é ignorância, pois
somente Deus tem essa liberdade. Todos nós, sem exceção, somos guiados por Deus
em todas as nossas andanças e atitudes. Mesmo no mal, se o podemos chamar de
mal, o Senhor está consciente de tudo, deixando-o acontecer para nos
disciplinar e orientar para o bem que nunca morre.
Aos homens que já
compreendem as leis de Deus, mas não se conformam de todo com os
acontecimentos, alguém do mundo espiritual inspira para sentirem e dizerem
conforme encontramos em Atos dos Apóstolos, no capítulo vinte e um, versículo
quatorze:
Como, porém, não o
persuadimos, conformados dissemos:
Faça-se a vontade do Senhor.
Devemos saber que Deus nada
faz errado, mas sempre em favor da educação dos Seus filhos, despertando os
valores que todos carregamos no coração. Sempre queremos demais, almejamos o
que não merecemos e quase sempre nos envaidecemos com aquilo que não nos
pertence. Somente chegando à maturidade espiritual é que entregamos ao Senhor
todos os nossos sentimentos e pensamos com Jesus, pedindo a Ele que faça em nós
a Sua vontade e não os nossos desejos.
Não há ninguém no mundo que
pode jactar-se de que goza da liberdade absoluta. Liberdade absoluta, somente
Deus, o Criador de todas as coisas, tem. Nós podemos, sim, com o tempo e a
purificação dos sentimentos e o despertar dos dons de vida, gozar da
tranquilidade de consciência e viver em pleno céu, descobrindo esse paraíso
dentro de nós mesmos.
A liberdade natural não é
liberdade total; a primeira é bênção de Deus para a alegria e a esperança dos
Seus filhos, de maneira que todos nós possamos sentir que estamos seguros
n'Aquele que é o princípio e a vida de todas as criaturas.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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