MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os animais e o homem
607. Dissestes (190) que o
estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na
vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida.
Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento?
“Numa
série de existências que precedem o período a que chamais Humanidade.”
a) - Parece que, assim, se
pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores
da criação, não?
“Já
não dissemos que todo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses
seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente
se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme
acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação,
por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito.
Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu
futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus
atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da
juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o
homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes
nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a
sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza
dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do
Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a
qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que
for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua
bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”
b) Esse período de humanização principia na Terra?
“A
Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da
humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto,
entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito,
desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é frequente o
caso; constitui antes uma exceção.”
Infância da vida
O Espírito, quando se
humaniza, não fica necessariamente no mundo onde começou a dar seus primeiros
passos no reino vegetal e animal. Os mundos que circulam no universo são casas
do mesmo Deus, capazes de abrigar multidões de seres que correspondem às suas
necessidades espirituais. Troca-se de casas planetárias, como se troca de
escolas, quando preciso. Entretanto, muitos ficam onde começaram a despertar.
Nada na vida é estático; as
leis têm aberturas diversas para mostrar aos homens estudiosos a grandeza de
Deus. Os homens, na sua primeira infância, são como crianças ou talvez piores
que muitas dessas, que já carregam bagagem de outras vidas. Deus não tem
pressa, mas não para de operar. Assim deves fazer igualmente: deixar, por onde
passares, o traço das coisas boas que já aprendeste.
O animal que rasteja no chão
com o perpassar dos milênios, ouvirá dentro de si, quando já preparado, as
palavras anotadas por Lucas, no capítulo onze, versículo dez: "Pois
todo o que pede, recebe; o que busca, encontra e a quem bate abrir-se-á."
A extensão do tempo a que se
submete é o pedido de melhoria; os seus movimentos, a busca no silêncio, e as
lutas que tem no seu reino, são as batidas nas portas do progresso, para achar
a sua melhoria, que vem na mudança de reinos.
Na humanização do animal,
ele vai tendo o princípio de consciência do seu futuro. Alguma luz brilha na
sua mente, a lhe dizer da esperança em uma vida melhor e a face da infância vai
se transformando, qual a da criança do mundo para a adolescência e depois para
alcançar a madureza. São processos que regulam todos os reinos da natureza,
mas, o grandioso é que todas as coisas caminham para essa vida livre e
grandiosa. Assim Deus o quer.
Como já dissemos, a Terra
não é o ponto de partida de todas as reencarnações, nem o fim. Nos mundos onde
existem humanidades reencarnadas, processam-se neles as trocas. Avalanches de
entidades periodicamente saem e entram, para engrandecimento das criaturas de
Deus. Muitos Espíritos querem descobrir a sua gênese, mas nem sempre lhes é
permitido. Essas verdades vêm com lentidão, de acordo com as necessidades
espirituais e a vontade de Deus. Sem a permissão de Deus, nada será feito.
Compreende-se, pois, que existe um comando central, nas mãos d'Aquele que tudo
criou por amor.
Assim como há Espíritos de
alta hierarquia comunicando-se na Terra, há os que ainda não sabem o que fazem;
são alunos nos primeiros anos de escola, a quem por vezes, é permitido o
intercâmbio, como exercício de aprendizado.
Os Espíritos não devem se
sentir humilhados por saberem que vieram do reino animal, pois tal se deu por
vontade do Criador, e todos passam pelo mesmo processo para alcançar a
inteligência.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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