MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os animais e o homem
608. O Espírito do homem
tem, após a morte, consciência de suas existências ao período de humanidade?
“Não,
pois não é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil é mesmo que
se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem se
lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou
no seio materno. Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como
começaram.”
Lembrança de existências
anteriores
O Espírito, quando
desencarna, não se lembra das suas vidas pregressas, anteriores ao período de
humanidade. Muitos não se lembram nem mesmo das reencarnações passadas, já como
Espírito; isso depende do estado evolutivo da criatura. Somente o Espírito
altamente evoluído é que pode se recordar de algumas vidas que teve na Terra,
já como Espírito.
A maioria fica em estado de inconsciência por tempo considerável, e quando o ser se encontra nas inferioridades, dando provas de que não é bom o seu despertamento, passa de uma existência para outra sem consciência de tal estado. Daí se conclui que os Espíritos não são capazes de se lembrarem como começaram.
As lembranças, quando se
processam, é por necessidade do desencarnado. O véu que empana essa verdade é
controlado pelos Espíritos superiores, que a tudo comanda, na razão de ser das
vidas em transição.
Muitos dos seguidores da
Doutrina Espírita ficam especulando os Espíritos para descobrirem o que foram
no passado, sendo que eles mesmos, ao analisarem o seu próprio presente, devem
desconfiar o que foram, pelos seus instintos aflorados, pela sua conduta no
presente, pelos seus próprios pensamentos.
As diversidades no mundo dos
Espíritos são múltiplas, como são na Terra; há regiões nas sombras onde a vida
é pior que na Terra, onde impera ainda a escravidão, e os escravizados são
Espíritos devedores que a lei deixa que assim quedem, para que eles aprendam a
ser mais úteis quando retornarem à Terra, animando um corpo físico.
Qual a utilidade de
revelações de vidas passadas? A maior revelação que a Terra recebeu foi a
presença de Jesus, e a maior herança foi o Evangelho do Mestre. Não é preciso
saber o que fomos; devemos nos preocupar com o que deveremos ser agora,
corrigindo as más tendências, procurando nos iluminar por dentro, que o resto
virá por acréscimo de misericórdia.
A vaidade de certas
criaturas levam-nas a desejar que alguém lhes fale que foram grandes
personagens, que animaram corpos na Terra, e essa vaidade vai ser pior no
presente, pois se lhes for revelado que foram párias dos mais obtusos, poderão
esmorecer nas lutas para melhorar, e ficando na dúvida, avançam com mais
coragem para o futuro. Se tivessem acesso às vidas anteriores à vida humana,
mais difícil seria.
O Espírito humano precisa
educar-se, isso se pode generalizar: educar a todos. Foi para tanto que a Doutrina
dos Espíritos surgiu na Terra, para modificar os homens, mudando seus
sentimentos, educando seus pensamentos, na formação de ideias elevadas,
levando-os a se esforçarem, meditarem e trabalharem dentro de si mesmos.
Observemos as vidas dos
grandes missionários que passaram pelo planeta, deixando rastros de luz pela
própria vida: eles conversaram pouco, mas viveram muito nas hostes de Jesus,
entregando as suas vidas às reformas morais, mesmo que lhes custasse a própria
vida. A conduta reta fala mais alto que a reta fala e a reta escrita. Neste
esforço ingente em favor de si mesmos, os homens poderão melhorar de todas as
enfermidades físicas e morais; e daí poderão ouvir a voz do Mestre, novamente
em seu favor: Levanta-te e vai; a tua fé te curou. (Lucas, 17:19)
O homem, mormente o
espírita, deve alimentar a fé, pois ela cura todas as doenças de todas as
ordens, porque Jesus é a fé nos nossos corações. O Espírito do homem, se deseja
se iluminar, não pode passar por outros caminhos, a não ser o da verdade, que
desliza e avança cada vez mais sobre os impulsos da caridade.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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