AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Desigualdade das riquezas
808. A desigualdade das
riquezas não se originará da das faculdades, em virtude da qual uns dispõem de
mais meios de adquirir bens do que outros?
“Sim
e não. Da velhacaria e do roubo, que dizeis?”
a) - Mas, a riqueza herdada,
essa não é fruto de paixões más.
“Que
sabes a esse respeito? Busca a fonte de tal riqueza e verás que nem sempre é
pura. Sabes, porventura, se não se originou de uma espoliação ou de uma
injustiça? Mesmo, porém, sem falar da origem, que pode ser má, acreditas que a
cobiça da riqueza, ainda quando bem adquirida, os desejos secretos de possuí-la
o mais depressa possível, sejam sentimentos louváveis? Isso o que Deus julga e
eu te asseguro que o seu juízo é mais severo que o dos homens.”
Riquezas
Sempre existiu a desigualdade em tudo, e as riquezas não podem deixar de compartilhar deste "tudo". É notório que se observa em toda parte a desigualdade de riquezas. É muito difícil saber se uma riqueza tem boa procedência. Não raro, elas nascem da corrupção; quando não de um, têm raízes falsas em outros. O que deve fazer o homem é, quando as riquezas caírem em suas mãos, seja de qualquer procedência, procurar aplicá-la bem, para que possa ressarcir, ou ajudar a ressarcir erros.
O dinheiro em si não é bom
nem mau; ele faz o que a mente deseja que se faça com ele. Conhecemos muitos
ricos que podem entrar no reino dos Céus. A história nos conta do
desprendimento de muitos ricos em favor dos que sofrem o peso do carma que os
guia para o cumprimento da justiça.
Os homens precisam, e muito,
de se educarem no campo da honestidade. A falta dela é que os leva aos
distúrbios morais, principalmente os que dirigem os povos. Eles brincam com os
destinos dos homens, mas a reencarnação os conduz para lugares bem piores que
os que sofrem com a sua desonestidade, onde se veem o pranto e o ranger de
dentes.
Não devemos brincar com as
leis de Deus, que são justas e eternas. São elas generosas, mas enérgicas com
aqueles que as desrespeitam. As riquezas são testes para todas as criaturas e
povos. Não faltaria dinheiro em país nenhum, se fossem os povos equilibrados
nos seus comportamentos, nos seus pensamentos, se direcionassem bem suas ações.
O povo tem o governo que merece, é certo, todavia, o governo tem o povo que se
encontra na sua faixa de conduta. Se queremos saber o que é um, estudemos o
outro. Modificando-se a mentalidade do povo, o que somente o Evangelho pode
fazer, aparecerá por encanto um governo justo e correto. Nós estamos
constantemente pedindo a Deus o mal, porque pensamos e fazemos mais mal do que
bem. Os governos pedem para seus governados o que eles pensam e fazem. Assim
lhes será dado, por haver leis que asseguram o "pedi e obtereis".
Vamos observar Lucas em seus
apontamentos, no capítulo onze, versículo onze:
Qual dentre vós é o pai que,
se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra?
Se os filhos de uma nação
bem estruturada pedem ao governo, pelas suas ações ante seus compromissos como
cidadãos, alimento, teto e toda ordem de melhoramento, alimento moral em todas
as suas circunstâncias, esse pai que se afigura como governo dessa nação, não
fará outra coisa a não ser ofertar-lhes o melhor ambiente de paz com tudo o de
que precisam.
Entretanto, o que se vê são
milhões de criaturas em toda parte desarmonizando os países, em roubos, crimes,
assassinatos de todas as ordens, abortos de todos os tipos, mentira e falsidade
em todas as direções, guerras sem tréguas em quase todos os países, usura em
todos os povos, orgulho e egoísmo em quase todas as criaturas. O que elas estão
pedindo a Deus? Os governos têm de gastar quase todos os recursos com armas e
com o sustento dos exércitos e policiais, para manter uma paz precária entre si
mesmos. De quem é a culpa?
A desigualdade é, pois, uma
doença crônica, que um conjunto de conceitos conhecido como Evangelho age como
medicamento curativo para todos esses males, na medida que fosse vivido. As
religiões, assim como os religiosos, têm o dever de fazer conhecido esse livro,
assim como trabalharem nas mentes dos povos pelo exemplo.
A Doutrina Espírita tem o
maior compromisso com o Cristo, de educar e instruir as criaturas. Para
começar, o homem deve usar bem as riquezas, surgindo daí o equilíbrio de todos
os povos, para que o amor sem barreira seja o clima de todos os corações que
pulsam na Terra.
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