AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Desigualdade das riquezas
809. Aos que, mais tarde,
herdam uma riqueza inicialmente mal adquirida, alguma responsabilidade cabe por
esse fato?
“É
fora de dúvida que não são responsáveis pelo mal que outros hajam feito,
sobretudo se o ignoram, como é possível que aconteça. Mas, fica sabendo que,
muitas vezes, a riqueza só vem ter às mãos de um homem, para lhe proporcionar
ensejo de reparar uma injustiça. Feliz dele, se assim o compreende! Se a fizer
em nome daquele que cometeu a injustiça, a ambos será a reparação levada em
conta, porquanto, não raro, é este último quem a provoca.”
Responsabilidade
Em tudo o que fazemos, a
responsabilidade se apruma a nossa frente, pedindo, no silêncio da nossa
imaginação, que entendamos este compromisso. Todos o entendem, mais ou menos,
desde quando não deixem se perder as ondas emitidas pela consciência ao
raciocínio.
No caso de herança, muitas vezes não se conhece a origem da fortuna herdada, mas, mesmo sem o beneficiário o saber, já é um compromisso assumido, ao pôr as mãos em dinheiro que não nasceu dos próprios esforços. O rico tem oportunidades inúmeras de ajudar aos que sofrem, pela caridade bem conduzida, aquela que não fica somente ciando pão aos que têm fome, mas que lhes ensina quando oportuno, a plantar o trigo.
Riqueza soma
responsabilidades no caminho do seu portador. Ela é um empréstimo valioso de
Deus para que se possa despertar no coração os sentimentos do amor, através do
bem comum que se pode fazer. Quantas riquezas, observamos, estão sendo
desperdiçadas em mãos invigilantes, em passeios desnecessários, que em muitos
casos complicam a vida, em luxo extravagante que aumenta o orgulho da família,
desperta a vaidade e traz sempre junto o egoísmo!
Se veio às tuas mãos a riqueza,
pelo trabalho ou por herança, medita nos bens materiais e o porquê da sua
existência em teu caminho. Analisa os homens generosos, estuda as grandes vidas
e passa a copiar os ensinamentos dos grandes benfeitores da humanidade. O ouro
é cego; o seu guia é que responde pelos seus feitos.
Disse Jesus que dificilmente
entraria um rico no reino dos Céus mas, isso nunca é impossível, porque não
existe o impossível, onde a caridade é o clima e o amor o alimento. Jesus tem o
poder de a tudo transformar, e sempre para melhor.
O rico tem muitas
oportunidades de salvar-se porque, pelas suas possibilidades de conhecimento e
de vigiar por toda parte, tem oportunidades variadas de perceber com maiores
detalhes a vida de Jesus e os benefícios por Ele criados. Certamente que não
lhes falta a oportunidade de acesso a muitas obras que falam sobre a vida do
Guia Espiritual da Terra, e de perceber, por toda parte, os sinais dos Seus
fenômenos. João anotou, no capítulo seis, versículo trinta e seis:
Porém, eu já vos disse que,
embora me tenhais visto, não credes.
A riqueza, para quem tem
olhos para ver, permite observar com facilidade a bondade de Deus por toda
parte, e o próprio Jesus de braços abertos a chamar para o melhor trabalho que
existe na Terra: ensinar aos outros, sem ostentação, a ganhar o seu próprio
pão. A agricultura, a fruticultura, a floricultura e outros poderiam ser
processos da multiplicação dos pães em tempos novos, promovida pelos ricos,
para que os homens vissem o amor de Deus para com Seus filhos.
Também os ricos de
conhecimento e de recursos intelectuais deveriam saber como guiar aos que lhes
buscam orientação. Entretanto, parece que não veem que todos os meios de
comunicação que têm em suas mãos são possibilidades de guiar a humanidade,
esquecendo, muitas vezes, seus deveres de verdadeiros guias, lembrando-se
apenas de sua posição.
Observemos as
responsabilidades dessas heranças, que se não forem bem aplicadas, poderão ser
atrofiadas pelo tempo e pela justiça.
Se a herança partiu de uma
fonte injusta, pode-se transformá-la em ouro de luz, que ilumina os próprios
pervertidos para, no amanhã, corrigirem seus deslizes.
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