Questão 76 - O Livro dos Espíritos


LIVRO SEGUNDO - MUNDO ESPÍRITA OU MUNDO DOS ESPÍRITOS

CAPÍTULO I – DOS ESPÍRITOS

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS 


76. Que definição se pode dar dos Espíritos?


Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.

Comentário de Allan Kardec
A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.

Comentário do Espírito Miramez 

DEFINIR O ESPÍRITO
A definição do Espírito propriamente dito, a sua gênese nos profundos segredos de sua constituição elaborada por Deus, ser-nos-á difícil, por nos faltarem palavras para tais definições. Se obedecemos às leis que regulam o crescimento espiritual, achamos bem melhor pensar no respeito que devemos a todas as criaturas, que devem aprender gradativamente, de acordo com as necessidades de ascensão. A violência em todas as ordens, e principalmente no saber, é contrária ao progresso de todas as coisas, mormente para os seres inteligentes.


A ciência, mesmo com os seus limites, pode nos falar de muita coisa referente a nossa marcha para a conquista da libertação, entretanto, se não estivermos preparados na escola do amor, o que faremos com esses conhecimentos? Para que conhecer, se não aprendemos a discernir, se não aprendemos a aplicar com entendimento, se nos falta o amor aos nossos semelhantes? Não devemos fugir do saber, porém, saber como convém saber. Definir o Espírito em todas as suas particularidades, por enquanto, nos traria certa confusão, por sermos ainda crianças, com necessidades para as primeiras letras sobre a vida. Definir a vida é bastante difícil para quem ainda permanece na morte. Acordemos primeiro, para depois sabermos alguma coisa sobre os que vivem.

Os encarnados, por enquanto, como grande parte dos desencarnados, desconhecem o corpo físico, suas inúmeras funções, seu engenhoso movimento que busca sempre integrar-se na harmonia universal. O corpo de carne e músculos, fibras e ossos, é o mais perfeito aparelho. É, pois, a maior maravilha entre todas as outras existentes no mundo, exposta à vista humana, para ser ainda conhecida. Como desejar conhecer os outros corpos usados pelos Espíritos e, ainda mais, conhecer o próprio Espírito? Devemos começar pela Terra, para sentir e perceber o Céu. Se queremos ser obedientes à harmonia, sejamos disciplinados, seguindo as linhas traçadas pela gradatividade, como as letras que aqui usamos para que os nossos pensamentos sejam entendidos. Deus não tem segredos para com os seus filhos, mas pede preparo para que possamos suportar as revelações espirituais.

As forças do Espírito são ilimitadas, todavia, desabrocham gradativamente na alma, que sabe usar seus tesouros; do contrário, estabeleceria uma confusão no seio da sociedade. Alguns acham que muitos não deveriam saber o que sabem, e estão enganados: a cada um foi e é dado o que realmente merece. A definição do Espírito, que muitos desejam, não está sendo negada por Deus: ela está sendo dada, pelos meios que correspondem às necessidades das almas, através de vários livros e em inúmeras mensagens escritas por intermédio da mediunidade no Brasil e em todo o mundo.


Paganismo


Paganismo (do latim paganus, que significa "camponês", "rústico") é um termo geral, normalmente usado para se referir a tradições religiosas politeístas. É usado principalmente em um contexto histórico, referindo-se a mitologia greco-romana, bem como as tradições politeístas da Europa e do Norte da África antes da cristianização.

Num sentido mais amplo, seu significado estende-se às religiões contemporâneas, que incluem a maioria das religiões orientais e as tradições indígenas da América, da Ásia Central, da Austrália e da África, bem como às religiões étnicas não-abraâmicas em geral. Definições mais estreitas não incluem nenhuma das religiões mundiais e restringem o termo às correntes locais ou rurais que não são organizadas como religiões civis. Uma característica das tradições pagãs é a ausência de proselitismo e a presença de uma mitologia viva, que explica a prática religiosa.

O Partenon, na Acrópole de AtenasGrécia
Na perspectiva cristã, o termo foi historicamente usado para englobar todas as religiões não-abraâmicas. O termo "pagão" é uma adaptação cristã do "gentio" do judaísmo e, como tal, tem um viés abraâmico inerente, com todas as conotações pejorativas entre o monoteísmo ocidental, comparáveis aos pagãos e infiéis também conhecidos como kafir (كافر) e mushrik no Islã. Por esta razão, etnólogos evitam o termo "paganismo", por seus significados incertos e variados, referindo-se à fé tradicional ou histórica, preferindo categorias mais precisas, tais como o politeísmo, xamanismo, panteísmo ou animismo.

 Desde o século XX, os termos "pagão" ou "paganismo" tornaram-se amplamente utilizados como uma auto-designação por adeptos do neopaganismo. Como tal, vários estudiosos modernos têm começado a aplicar o termo de três grupos distintos de crenças: politeísmo histórico (como a mitologia celta e o paganismo nórdico), religiões indígenas, folclóricas e étnicas (como a religião tradicional chinesa e as religiões tradicionais africanas) e o neopaganismo (como a wicca, o reconstrucionismo helénico e o neopaganismo germânico).


Etimologia

A palavra pagão provém do latim paganus, cujo significado é o de uma pessoa que viveu numa aldeia, num dado país, um rústico. O uso mais comum da palavra no latim clássico era utilizado para designar um civil, alguém que não era um soldado. Em torno do século IV, o termo paganus começou a ser utilizado entre os cristãos no Império Romano, para se referir a uma pessoa que não era um cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos.

O historiador Peter Brown observa: A adoção da palavra latina paganus pelos cristãos como um termo pejorativo abrangente para politeístas, representa uma vitória imprevista e, singularmente, de longa duração de um grupo religioso, com o uso de uma gíria do latim originalmente desprovida de significado religioso. A evolução ocorreu apenas no Ocidente latino e em conexão com a igreja latina. Em outra parte, "heleno" ou "gentios" (ethnikos) manteve-se a palavra "pagão"; e paganos continuou como um termo puramente secular, com toques de inferioridade.

Os estudiosos ofertam três explicações para a utilização da palavra. A primeira é que a população cristã era geralmente concentrada nas cidades de Roma e Constantinopla, enquanto as pessoas das áreas rurais - os pagani - geralmente eram adeptos da "velha religião", adorando Júpiter e Apolo em vez de Cristo; A segunda possível explicação é a de que os cristãos referiam-se a si próprios como milites - soldados de Cristo; e chamavam os não cristãos de pagani - os civis. Uma terceira explicação é que paganus pode significar simplesmente um estranho, não parte da comunidade, e os primeiros cristãos utilizavam essa palavra desta maneira.

Paganus passado em eclesiástico latino, quando chegou ao longo do tempo para se referir à fiel de qualquer religião que não sejam o cristianismo.

Nos estudos acadêmicos acerca do Paganismo, têm sido discriminados alguns conceitos de referência:

Paleopaganismo. Incluem-se neste conceito as religiões do antigo Egito, do mundo greco-romano da Antiguidade Clássica, a antiga religião dos celtas (druidismo), a religião Norse ou mitologia nórdica, mitraísmo, bem como as religiões das populações nativo-americanas, como a religião asteca, etc.

HISTÓRIA

Antiguidade Clássica

Ludwig Feuerbach definiu o paganismo da Antiguidade Clássica, que ele denominou Heidentum, como "a unidade da religião e da política, do espírito e da natureza, de Deus e do homem", qualificada pela observação de que o homem no pagão a visão é sempre definida por etnia, ou seja, grego, romano, egípcio, judeu, etc., para que cada tradição pagã seja também uma tradição nacional. Os historiadores modernos definem o paganismo em vez disso como o agregado de atos de culto, dentro de um contexto cívico e não "nacional", sem um credo escrito ou sentido de ortodoxia.

Animismo


Animismo (do latim animus, "alma, vida") é a visão de mundo em que entidades não humanas (animais, plantas, objetos inanimados ou fenômenos) possuem uma essência espiritual.

O animismo é usado na antropologia da religião como um termo para o sistema de crenças de alguns povos tribais indígenas, especialmente antes do desenvolvimento de religiões organizadas. Apesar de cada cultura ter suas próprias mitologias e rituais diferentes, o "animismo" é um termo usado para descrever o segmento mais comum e fundacional das perspectivas "espirituais" ou "sobrenaturais" dos povos indígenas. A perspectiva animística é tão fundamental, mundana e diária que os povos indígenas mais animistas sequer têm uma palavra em seus idiomas que corresponda a "animismo" (ou mesmo a "religião"); o termo é uma construção antropológica, e não uma designação dada pelos próprios povos.

Em grande parte devido a essas discrepâncias etnolinguísticos e culturais, existe um debate sobre se o animismo refere-se a uma ampla crença religiosa ou a uma religião de pleno direito. A definição atualmente aceita de animismo só foi desenvolvida no final do século XIX por sir Edward Tylor, que criou-o como "um dos primeiros conceitos da antropologia, se não o primeiro".

O animismo abrange a crença de que não há separação entre o mundo espiritual e físico (ou material) e de que existem almas ou espíritos, não só em seres humanos, mas também em alguns outros animais, plantas, rochas, características geográficas (como montanhas ou rios) ou de outras entidades do meio ambiente natural, como o trovão, o vento e as sombras. O animismo rejeita, assim, o dualismo cartesiano. Exemplos de animismo podem ser encontrados em formas de xintoísmo, serer, o hinduísmo, o budismo, a cientologia, jainismo, paganismo, e neopaganismo. Alguns membros do mundo não tribal também se consideram animistas (como autor Daniel Quinn, o escultor Lawson Oyekan e muitos neopagãos).


Psicofonia


Psicofonia (do grego psyké, alma e phoné, som, voz), de acordo com a Doutrina Espírita, é o fenômeno mediúnico no qual um espírito se comunica através da voz de um médium.

A Doutrina Espírita identifica duas classes principais de psicofonia: a consciente - quando o médium afirma ter percebido mentalmente ou escutado uma fala proveniente de um espírito que desejava se comunicar, tendo-a reproduzido com o seu aparelho fonador; e a inconsciente ou sonambúlica - quando o médium afirma não saber o que disse, fazendo entender, neste caso, que o espírito comunicante ter-se-ia utilizado diretamente de seu aparelho fonador, por estar ele, médium, inconsciente.

Como se verifica em toda classificação espírita, esta deve ser entendida como didática, sabendo-se haver uma diversidade de nuances entre uma e outra classe.

Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns” chama os médiuns psicofônicos inconscientes de médiuns falantes.


Psicofonia televisionada no Brasil. No dia 28 de outubro de 2004, quinta-feira, durante uma sessão comemorativa pelos 200 anos de nascimento de Allan Kardec, o deputado federal Luiz Carlos Bassuma (PV-BA), experimentou um aparente fenômeno de psicofonia, acessível no portal da Câmara de Deputados e no Youtube - ainda que visto por alguns com um certo ceticismo. Em um dado momento da sessão, quando estaria iniciando a prece, abaixou a cabeça, alterou seu tom de voz, com sua mão direita aparentemente trêmula durante mais de 3 minutos. Há várias menções a este caso quanto positivas - alegando veracidade na comunicação dos espíritos, quanto negativas - alegando que não houve critério na comunicação mediúnica. Bassuma afirmou ser espírita há 20 anos, na época do ocorrido e diz que quando ora, "sinto[sente] o envolvimento, deixo fluir, não faço nenhum tipo de bloqueio." O acontecimento foi amplamente noticiado nos vários telejornais brasileiros.

Psicografia

Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.
Objeto de estudo da pseudociência da parapsicologia, o consenso científico atual não suporta as alegações deste e de outros supostos fenômenos paranormais.

Conceito

Segundo a doutrina espírita, a psicografia seria uma das múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes. Allan Kardec classificou-a como um tipo de manifestação inteligente, por consistir na comunicação discursiva escrita de uma suposta entidade incorpórea ou espírito, por intermédio de um homem.


O mecanismo de funcionamento da psicografia, ainda segundo Kardec, pode ser consciente, semi-mecânico ou mecânico, a depender do grau de consciência do médium durante o processo de escrita.

No primeiro caso, o menos passível de validação experimental, o médium tem plena consciência daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das ideias contidas no texto. Tem a capacidade de influir nos escritos, evitando informações que lhe pareçam inconvenientes ou formas de se expressar inadequadas.

No segundo, o médium poderia até estar consciente da ocorrência do fenômeno, perceber o influxo de ideias, mas seria incapaz de influenciar voluntariamente o texto, que basicamente lhe escorreria das mãos. O impulso de escrita é mais forte do que sua vontade de parar ou conduzir voluntariamente o processo.

No terceiro caso, o mais adequado para uma averiguação experimental controlada, o médium poderia escrever sem sequer se dar conta do que está fazendo, incluindo-se aí a possibilidade de conversar com interlocutores sobre determinado tema enquanto psicografa um texto completamente alheio ao assunto em pauta. Isso porque, segundo Kardec, esses médiuns permitiriam ao espírito agir diretamente sobre sua mão ou seu braço, sem recorrer à mente.

Além da doutrina espírita, há várias correntes espiritualistas em que é bem evidente a admissão da possibilidade de ocorrência desse fenômeno, como a Teosofia e a Umbanda.

Entre os textos ditos psicografados encontram-se obras atribuídas a autores famosos — uns adeptos, em vida, de doutrinas compatíveis com esta prática, como Victor Hugo e Bezerra de Menezes, outros nem tanto, como Oscar Wilde e Camilo Castelo Branco.

Aceitação da autoria

O pesquisador da Universidade Estadual de Londrina Carlos Augusto Perandréa estudou 400 cartas psicografadas por Chico Xavier em transes mediúnicos, utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário, a grafoscopia. Perandréa comparou a letra padrão dos indivíduos antes da morte e depois nas cartas psicografadas, chegando à conclusão de que todas as psicografias que estudou possuem autenticidade gráfica dos referidos mortos.

Nas primeiras décadas do século XX, os então dirigentes da Society for Psychical Research (famosa organização de pesquisa parapsicológica) coletaram e consideraram autênticas várias mensagens psicografadas por diversos médiuns que atribuíam a autoria ao espírito de F. W. H. Myers, intelectual que foi um dos fundadores da organização. Os dirigentes constataram também que as mensagens psicografadas apresentaram uma correlação de continuidade muito forte entre elas, formando uma espécie de "quebra-cabeça".