Questão 60 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO IV - PRINCÍPIO VITAL

SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.

60. É a mesma a força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos?
Sim, a lei de atração é a mesma para todos.

Comentário do Espírito Miramez
AS DIVISÕES DOS SERES
As divisões dos seres são inumeráveis, no reino da Terra; contudo, eles se encontram existindo com a mesma força espiritual de Deus. As divisões dos reinos são escalas, onde cabe a cada um existir e viver do modo que a sua constituição comportar, pelo despertar de valores existentes na gradatividade das eras. Os seres a que chamamos inorgânicos estão se preparando, no seio do tempo, para alcançarem organismos compatíveis com as suas necessidades de viver melhor. Todos os seres da Terra, todos os animais e mesmo as plantas, começaram há milhões de anos como sendo unicelulares, para depois serem transformados em formas variadas, pelas mãos invisíveis dos benfeitores da eternidade, Espíritos angélicos que se ocupam com o despertamento dos dons que dormem nos animais, nos homens e na natureza.

Classifica-se, na Terra, por seres inorgânicos, aqueles que não têm movimento próprio, tais como os minerais, a água, o ar etc., assim nos diz O Livro dos Espíritos, entretanto, esses seres têm uma grande atividade interna: a vida em seu interior é sobremaneira grandiosa, dirigida igualmente por leis espirituais que regulam e fazem crescer todas as criações de Deus. O Espírito passa por uma fileira interminável para alcançar a razão, atributo que veio se transformando nesta viagem, por leis que ativam e regulam as qualidades da alma.

Os seres que têm movimento próprio se encontram em uma escala mais elevada de vida. A árvore está em estado de sonho, com o seu psiquismo em fase de formação, já com certas sensibilidades que retratam algumas emoções. Os animais tanto mostram os movimentos internos dos seus órgãos, como os externos, e o próprio instinto se consagra em uma escala maior do que nas árvores. Os homens já mostram as claridades evolutivas como criaturas superiores, porque são dotados de razão. Nesses, a inteligência se manifesta pela força da evolução - se esse é bem o termo -, que põe a pensar todos os sábios do mundo, principalmente os materialistas, que sempre perguntam no silêncio dos laboratórios: de onde vem a inteligência? Somente a presença do Espírito no corpo pode responder. Verdade é que eles ainda não acreditam, mesmo vendo e tocando, negam por imaturidade espiritual. Deus não fez nada escondido: nós é que não temos qualidades para assimilar as verdades estabelecidas pelas leis do Criador, porém, a maturidade nos confere os meios de descobrir segredos escondidos desde o princípio, nas dobras do próprio tempo, de acordo com as nossas necessidades.

Não devemos nos afligir com verdades que ainda não suportamos; tudo vem a seu tempo, por aquiescência d'Aquele que nos criou a todos; toda a sabedoria parte de Deus, todo amor está n'Ele, que é a fonte. Toda a vida promana de Seu seio.

Os homens não devem desprezar nenhum dos reinos da natureza, nem se afastar de nenhuma das raças suas irmãs. Tudo que existe na Terra é criação d'Aquele que sabe mais que todos nós, e nos empresta meios invisíveis para que possamos viver em paz. Enquanto vigorarem o egoísmo e o orgulho nos caminhos humanos, a miséria não se afastará da Terra, e os mais miseráveis são os usurpadores dos bens que não lhes pertencem. E foi por essa necessidade de melhorar os sentimentos dos povos, que Deus enviou Seu filho do coração para nos ensinar a viver, nos moldes que a harmonia pudesse dominar todo o ambiente da casa terrena.

Queremos dizer a todos que possam nos ler, que a vida existe em tudo que foi criado por Deus, no grau que a forma certamente atingiu.

Questão 59 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

PLURALIDADE DOS MUNDOS

59. Os povos hão formado ideias muito divergentes acerca da Criação, de acordo com as luzes que possuíam. Apoiada na Ciência, a razão reconheceu a inverossimilhança de algumas dessas teorias. A que os Espíritos apresentam confirma a opinião de há muito partilhada pelos homens mais esclarecidos. A objeção que se lhe pode fazer é a de estar em contradição com o texto dos livros sagrados. Mas, um exame sério mostrará que essa contradição é mais aparente do que real e que decorre da interpretação dada ao que muitas vezes só tinha sentido alegórico.

A questão de ter sido Adão, como primeiro homem, a origem exclusiva da Humanidade, não é a única a cujo respeito as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em determinada época, tão em oposição às letras sagradas, que não houve gênero de perseguições a que essa teoria não tivesse servido de pretexto, e, no entanto, a Terra gira, malgrado aos anátemas, não podendo ninguém hoje contestá-lo, sem agravo à sua própria razão.


Diz também a Bíblia que o mundo foi criado em seis dias e põe a época da sua criação há quatro mil anos, mais ou menos, antes da era cristã. Anteriormente, a Terra não existia; foi tirada do nada: o texto é formal. Eis, porém, que a ciência positiva, a inexorável ciência, prova o contrário. A história da formação do globo terráqueo está escrita em caracteres irrecusáveis no mundo fóssil, achando-se provado que os seis dias da criação indicam outros tantos períodos, cada um de, talvez, muitas centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião insulada; é um fato tão certo como o do movimento da Terra e que a Teologia não pode negar-se a admitir, o que demonstra evidentemente o erro em que se está sujeito a cair tomando ao pé da letra expressões de uma linguagem frequentemente figurada. Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.

Escavando os arquivos da Terra, a Ciência descobriu em que ordem os seres vivos lhe apareceram na superfície, ordem que está de acordo com o que diz a Gênese, havendo apenas a notar-se a diferença de que essa obra, em vez de executada milagrosamente por Deus em algumas horas, se realizou, sempre pela sua vontade, mas conformemente à lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Ficou sendo Deus, por isso, menor e menos poderoso? Perdeu em sublimidade a sua obra, por não ter o prestígio da instantaneidade? Indubitavelmente, não. Fora mister fazer-se da Divindade bem mesquinha ideia, para se não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para regerem os mundos. A Ciência, longe de apoucar a obra divina, no-la mostra sob aspecto mais grandioso e mais acorde com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de ela se haver efetuado sem derrogação das leis da Natureza.

De acordo, neste ponto, com Moisés, a Ciência coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém, indica, como sendo o do dilúvio universal, o ano 4.654 da formação do mundo, ao passo que a Geologia nos aponta o grande cataclismo como anterior ao aparecimento do homem, atendendo a que, até hoje, não se encontrou, nas camadas primitivas, traço algum de sua presença, nem da dos animais de igual categoria, do ponto de vista físico. Contudo, nada prova que isso seja impossível. Muitas descobertas já fizeram surgir dúvidas a tal respeito. Pode dar-se que, de um momento para outro, se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana e então se reconhecerá que, a esse propósito, como a tantos outros, o texto bíblico encerra uma figura.

A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé. Ora, o tempo necessário à formação das camadas fósseis não permite confundi-los e, desde que se achem vestígios da existência do homem antes da grande catástrofe, provado ficará, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis; forçoso será aceitar-se esse fato, como se aceitaram o do movimento da Terra e os seis períodos da Criação.

A existência do homem antes do dilúvio geológico ainda é, com efeito, hipotética. Eis aqui, porém, alguma coisa que o é menos.

Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra 4.000 anos antes do Cristo e que, 1.650 anos mais tarde, toda a raça humana foi destruída, com exceção de uma só família, resulta que o povoamento da Terra data apenas de Noé, ou seja: de 2.350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país muito povoado e já bastante adiantado em civilização. A História prova que, nessa época, as Índias e outros países também estavam florescentes, sem mesmo se ter em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época muito mais afastada. Teria sido preciso, nesse caso, que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, isto é, que num espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem houvesse podido povoar todos os imensos países então conhecidos, suposto que os outros não o fossem, mas também que, nesse curto lapso de tempo, a espécie humana houvesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião. O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar.

O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto a hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos. Tudo, ao invés, se explica, admitindo-se: que a existência do homem é anterior à época em que vulgarmente se pretende que ela começou; que diversas são as origens; que Adão, vivendo há seis mil anos, tenha povoado uma região ainda desabitada; que o dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial, confundida com o cataclismo geológico; e atentando-se, finalmente, na forma alegórica peculiar ao estilo oriental, forma que se nos depara nos livros sagrados de todos os povos. Isto faz ver quanto é prudente não lançar levianamente a pecha de falsas as doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, desmentir os que as combatem. As ideias religiosas, longe de perderem alguma coisa, se engrandecem, caminhando de par com a Ciência. Esse o meio único de não apresentarem lado vulnerável ao cepticismo.

Comentário do Espírito Miramez 
O DIA DA CRIAÇÃO
O dia certo da criação da Terra e o momento em que surgiu o homem na face da mesma escapa a qualquer inventiva que deseje oferecer os dados exatos, para a curiosidade humana. Alguns escritores modernos atiram críticas desrespeitosas ao velho livro iniciado pelo Legislador Hebreu, por este dizer que a Terra foi feita em seis dias apenas. Esquecem-se esses defensores da verdade que a própria verdade, em se visitando a humanidade, veste a capa da relatividade, para não ser um veículo de perturbação. Muitos segredos existentes na Bíblia estão em forma de parábolas ou envolvidos na letra, para oferecer conforto às variadas classes de criaturas. Encontramos esse processo de comunicação no próprio Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele usou as parábolas para falar à multidão. Esse modo de falar por vezes atravessa séculos e mais séculos, conduzindo a mensagem para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, como Ele mesmo Se refere aos ansiosos pela verdade. A própria ciência moderna nos dá uma visão da paciente mutação das coisas. Vejamos a transformação do carvão em diamante, feita pela natureza em milhões de anos. Nada é feito com violência. Observemos a petrificação de animais encontrados nas rochas, e a própria pedra que já foi água em passado de difícil demarcação.

Se o crítico de hoje se colocasse no lugar de Moisés, o que iria escrever sobre a criação? Talvez os mais endurecidos dissessem que não escreveriam nada, para não dizer da forma que foi dito. Por isso é que nenhum desses foi Moisés, porque era preciso iniciar, do modo que o mundo espiritual achasse mais conveniente. O Legislador foi um instrumento dos Espíritos Superiores. Deu início a uma obra grandiosa que persiste até nos dias em que vivemos, admirada e seguida, respeitada e comentada, vivida e interpretada à luz de todas as épocas.

O fanatismo em tomo da Bíblia é obra dos homens que ainda não alcançaram o bom senso, pois ele existe em todas as religiões, senão na própria ciência ou filosofia. Compete a cada um de nós um estudo sério sobre a matéria e uma meditação respeitosa sobre os assuntos ventilados no Livro Sagrado, chegando à conclusão de que o bem feito por ele em todo o mundo ultrapassa as nossas esperanças em outras fontes. O próprio Jesus a chamou de lei, dizendo: “Não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.” E o Novo Testamento sentiu-se seguro ligado ao Velho, como criança obediente ao pai, para depois ajudá-lo no seu roteiro de novas eras. O Mestre tinha grande zelo no cumprimento das escrituras, pois foi Ele mesmo, do mundo espiritual, quem enviou Moisés e os profetas, no anúncio de todas as verdades, do modo que elas foram pregadas, para depois consolidá-las com a Sua própria presença, que o mundo recebeu como um prêmio dos Céus, para nunca mais se esquecer dessas bênçãos de Deus aos filhos da Terra.

Não te preocupes em demasia com o dia da criação, na exatidão do termo, nem com o momento em que foi criado o homem, e a urgência do despertar interior das criaturas, dos valores imortais do Espírito, onde mora Deus no trono da consciência. Adão é, pois, um símbolo da criatura; podemos tê-lo como um tronco de raça, como muitos outros. Quem desejar descobrir qual foi o primeiro homem, que faça isso primeiro: descubra qual foi a primeira flor de uma gigante mangueira florida, que a razão dará a resposta exata do que queremos dizer. Que Jesus nos abençoe.

Questão 58 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

PLURALIDADE DOS MUNDOS

58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?
Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgãos de conformação idêntica à dos vossos.

Comentário de Allan Kardec
As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro d’água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.

Comentário do Espírito Miramez 
A VIDA E A LUZ
O sol não é a única fonte de luz do universo. Até as crianças deste século conhecem esta realidade. As primeiras lições de astronomia nos ensinam essa verdade, mostrando-nos a classificação das estrelas. Os sóis são inumeráveis na extensão infinita da criação. Se o nosso sol é uma estrela de quinta grandeza, e as classificadas na quarta, terceira, segunda e primeira? Sem estar ao par da quantidade dos sóis, mas, para dar uma idéia, são do nosso conhecimento bilhões deles, alguns iguais ao nosso e outros em melhores condições, onde se concentram energia, dando e alimentando vida em todas as direções do cosmo.


Ninguém é privado das bênçãos de Deus. Todos nós recebemos o que necessitamos para viver. É de raciocínio comum que não podemos dizer que onde não há calor não existe vida, que onde falta a luz visível, escapa a inteligência. Os recursos da Divindade são inumeráveis, os Espíritos tomam corpos diferentes nos diferentes mundos em que habitam. Há almas que pouco dependem do exterior; elas vivem na própria luz que as circunda. O ambiente que conheces na Terra ainda se apresenta muito grosseiro diante de mundos venturosos, onde Espíritos de alta hierarquia estão estagiando, bem como existem planetas inferiores em comparação com o teu, em que os seres, se podemos dizer, humanos, estão desabrochando os primeiros traços da razão, e a sua inferioridade na escala de ascensão requer um mundo de constituição pesada, de ar, alimentos, água e tudo o mais, nas mesmas condições.

Deus fez de tudo com abundância, dependendo das inteligências procurarem ser obedientes às Suas leis. Cada globo se apresenta na escala dos planetas com diferenças inumeráveis, no tempo e no espaço, por motivos diversos, e essas diferenças é que tornam o universo em harmonia e beleza indescritíveis. É o cinetismo divino que faz gerar e despertar os valores da vida. É certo que existem muitos segredos a desvendar, e sempre vão existir, pois eles nos dão esperança e nos fazem trabalhar, buscando a própria vida na sua plenitude. A vida não depende da luz do modo que pensas; a luz é que depende da vida que a sustenta e dá a expressão no universo.

Nunca podemos dizer que somente existe vida onde houver condições iguais às da Terra; nunca poderemos dizer que todas as formas físicas dependem de carbono, ar, água e outros elementos indispensáveis ao corpo na Terra. Isso seria diminuir a sabedoria de Deus que, assim como fez o clima da Terra, para viverem nele o homem, os vegetais e os animais, poderia fazer mundos diferentes para viverem neles outras raças com corpos compatíveis com o ambiente. E essa é que é a verdade. Não penses que o homem é o rei da criação: todos são irmãos, na irmandade divina do tempo, porque tudo que existe saiu das mãos generosas do Criador.

O teu sol, em comparação com a grandeza de outros que brilham no infinito, não existe. É uma simples luz bruxuleando no universo, como que riscada por um fósforo. E tudo vem de Deus, que ora chamamos a Grande Luz, por não compreendermos, nem conhecermos outra expressão que Lhe possa retratar a grandeza. A vida e a sabedoria são muito engenhosas, e cabe a nós buscar seus valores permanentes. Podemos dizer a todos que nos seguem pela leitura, que as próprias trevas são luzes que dormem, porque o Senhor vibra em tudo, e é tudo que vive.

Questão 57 - O Livro dos Espíritos

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

PLURALIDADE DOS MUNDOS



57. Não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos, seguir-se-á tenham organizações diferentes os seres que os habitam?
Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.

Comentário do Espírito Miramez 
ORGANIZAÇÃO FÍSICA
Certamente que existem diferenças na organização física dos mundos habitados. Elas acompanham o estado evolutivo dos mundos e o comportamento da matéria de que são constituídos, na escala de amadurecimento.

Se nos encontrarmos num planeta onde a alimentação dos seus habitantes é rarefeita, onde eles já não precisam mais dos pesados manjares dos homens na Terra, é lógico que a organização fisiológica tem de ser diferente, por não precisarem mais de certos órgãos como estômago, intestinos etc. Se uma civilização planetária já enxerga sem usar os olhos, é desnecessário esse instrumento da visão, que se atrofiará com o tempo, desabrochando outro sentido que se sobrepõe aos olhos com maior riqueza de detalhes.


O mundo tem a forma que lhe cabe pela sua própria evolução, e isso não altera nada nas leis naturais; antes, as embeleza em todos os sentidos. Queremos dizer que a gênese em todos os globos do universo é a mesma, movida pela mesma lei; no entanto, o tempo e o espaço requerem dela mudanças engenhosas; também o Espírito é o mesmo, só que nos graus de ascensão se afiguram grandes diferenças. Temos provas, mesmo na Terra, das diferenças em se tratando dos diferentes reinos da natureza, e mesmo nestes reinos, notaremos as mudanças com a paciência que lhe é devida, para que não se expresse em violência. Tudo obedece a um ritmo de ascensão sem quebra de harmonia, que é a base da própria vida universal.

A razão nos pede para observar os nossos ancestrais quando movidos em corpo físico. O tempo, pela força das mudanças, busca o mais perfeito, porque o belo é o ideal da vida, e agora, na velocidade da época em que estamos vivendo, notam-se as diferenças de comportamento de pais para filhos. A distância, em se tratando de evolução, é mínima. A mudança de hábitos, e até as mudanças fisiológicas, o processo de alimentação, tudo muda para melhor, em todos os reinos da criação de Deus.

Existem mundos mais atrasados e mais adiantados que a Terra, onde por vezes temos de reencarnar, e para tal, em ambos os casos, temos que fazer adaptação, às vezes demorada, até recebermos novos corpos no planeta em que iremos nos manifestar fisicamente. Todavia, o Espírito é o mesmo e a matéria é a mesma, por todos os quadrantes do infinito, mas, obediente às leis que vigoram nos mundos e nos espaços da criação.

Escrevemos o que sabemos, mas, nem tudo o que sabemos podemos escrever. Deus é sábio e justo. Somente recebemos o que podemos suportar na escala que já atingimos. O Senhor gosta das diferenças e mutações, portanto criou as leis que as regulam e assistem, e nós devemos fazer o mesmo. Somos todos irmãos uns dos outros, com os mesmos direitos e deveres na pauta da v ida. Não existe nada inferior para o Grande Arquiteto do Universo; tudo é perfeito e está na mais perfeita ordem, compatível com a harmonia divina, só que estamos em estado de despertar. Em uns já afloraram maiores valores, em outros menos, mas carregam consigo todos eles, como bênção do Doador Maior. Não podes pensar que as diferenças físicas, morais e intelectuais possam criar barreiras intransponíveis. Elas são escolas que devemos estudar com amor, para aprendermos com humildade as lições que todas elas nos oferecem.

Questão 56 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

PLURALIDADE DOS MUNDOS

56. É a mesma a constituição física dos diferentes globos?
Não; de modo algum se assemelham.

Comentário do Espírito Miramez 
A CONSTITUIÇÃO FÍSICA
A constituição física dos mundos que circulam no universo apresenta algumas diferenças, principalmente naqueles que não são da mesma idade sideral. A matéria primitiva é a mesma em todos os mundos; a maturidade é que modifica a sua composição. Podemos observar pelos olhos da própria ciência oficial da Terra, pelo trabalho que realiza nas suas pesquisas sobre os planetas vizinhos, que são encontrados neles, segundo seus aparelhos de observação, elementos que existem na Terra e, certamente, outros que escapam às sensibilidades dos instrumentos dos homens. Entretanto, os próprios cientistas revelam as diferenças na atmosfera, umas mais pesadas, outras rarefeitas, as diferenças na gravidade e a liberdade que têm os raios cósmicos, por não encontrarem a camada protetora de ozônio, de que a Terra foi merecedora, a falta de mares e, conseqüentemente, de vegetação, não sendo constatada a presença dos animais. Há muitos mundos que já foram habitados e vivem em outra função que não é a de moradia para Espíritos reencarnados, entretanto, no fundo são todos iguais, por terem nascido da mesma fonte universal, por terem saído das mãos benfeitoras de Deus.


As revelações para os homens deverão ser gradativas. Somente o tempo pode nos dizer quando devem ser descortinadas determinadas verdades. A verdade fora do momento é bem pior que a mentira, cabendo aos instrutores da humanidade regular as mensagens e estabelecer os momentos das revelações. No momento, saber ou não, se os mundos são constituídos dos mesmos elementos, pouco importa. A urgência da atualidade é outra bem diferente: é estudar o amor, analisá-lo e vivê-lo, ou procurar viver essa virtude por excelência. O de que mais precisamos é, pois, do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo no coração, e que ele seja pregado em toda parte, de todas as formas que já existem no mundo. É pura pretensão julgar que estamos com a verdade e as outras religiões e filosofias de posse somente da ilusão. Todos temos trabalhos a realizar diante de Deus e de nossa consciência. Todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai. Condenar quem está fazendo o bem é querer impedir a sua propagação.

A perfeição ainda escapa aos nossos sentidos, mas devemos buscá-la com todo ânimo, com toda a boa vontade. O Livro dos Espíritos é um manancial onde poderemos buscar assuntos e conversar sobre as belezas da criação e das suas leis naturais; todavia, há muitos livros que devem ser respeitados pelas doutrinas que revelam e pelos conceitos que expõem, que devem merecer o nosso respeito e a nossa atenção. Há certas palavras que, por vezes, foram alteradas nas obras básicas, por haver dificuldade da interpretação do sentido das mesmas. Quantos dicionários da mesma língua não diferem no sentido das palavras?

A constituição física dos mundos tem algumas diferenças, porém, tem muito mais igualdade do que diferença em tudo que se refere, desde a forma até os elementos. Certas mudanças ocorrem por força da maturidade da própria matéria, pois esta é uma lei em todos os globos d o universo. Não estamos com isso deturpando respostas dos Espíritos, que foram dirigidas a Allan Kardec e sim, querendo colocar mais luz no assunto, para que o leitor se inteire da verdade. A nossa conversa é para valorizar as leis que existem em toda parte, e não destruí-las; é para procurar ajudar no esclareci mento do que foi dito, e não contradizer.


Questão 55 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS

CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

PLURALIDADE DOS MUNDOS


55. São habitados todos os globos que se movem no espaço?
Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo.

Comentário de Allan Kardec
Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.

Comentário do Espírito Miramez
MUNDOS HABITADOS
Dependendo da forma de vida sobre a qual queiramos saber, ela existe em todo lugar! Tudo que saiu das mãos do Criador esplende vida; no entanto, em se tratando de vida física, com pelo menos as aparências da que existe na Terra, a resposta toma outras direções.

Se alguém que não conhecesse a Terra tivesse uma visão de todas as casas nela construídas, e perguntasse se todas elas são habitadas por seres humanos, o que responderíamos? - "Certamente, que nem todas. Muitas delas estão desabitadas; outras foram feitas com determinados objetivos que não o de moradia; outras serão destruídas por já terem cumprido suas missões"... e, assim, sucessivamente. O mesmo se dá com os mundos que circulam no universo de Deus. Nem todos são habitados, por seres humanos, por formas visíveis. A lógica nos leva a essa realidade, constatada durante nosso aprendizado, nas oportunidades de visitar alguns mundos desabitados, estudando a missão dos mesmos em outros rumos da harmonia divina, quando tivemos a ventura de constatar mundos habitados por seres com aparência idêntica à dos companheiros da Terra, uns mais adiantados, outros mais atrasados. É bom que salientemos que não existe algo inútil no seio da criação, pois, se Deus é a Inteligência Suprema, como iria fazer coisas sem proveito? Isso não cabe na mente do homem dotado de raciocínio e dominado pelo saber.

Cabe-nos dizer que o homem deste século se encontra ansioso para conhecer outros mundos, e o prêmio dos esforços consecutivos será as próprias descobertas. Entrementes, é preciso que os cientistas materiais descubram-se e ensinem aos seus irmãos a se descobrirem. Cada Espírito é um universo em miniatura e as leis de fora são as mesmas de dentro das almas. Basta sejam estudadas e respeitadas, para que a luz se faça nos caminhos das criaturas. O que existe fora, existe dentro; o que está no alto está no baixo. O empenho na Terra é o de educar os outros, o que muito louvamos, mas necessário se faz que nos eduquemos em primeiro lugar.

Quando estamos viajando, temos de aprender primeiro os caminhos do lugar objetivado; e os caminhos para a grande viagem dos conhecimentos exteriores começa por dentro do coração. Muitos insistem, perguntam e estudam, as prováveis vindas de seres superiores à Terra, por veículos siderais, e mesmo nos perguntam se são prováveis essas visitas. Respondemos que sim, com toda a certeza. No entanto, é necessário o preparo, e o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é a melhor cartilha para tal empreendimento. Podes trocar experiências com irmãos de outros mundos, essa é a lei, mas, é bom te conscientizares do que deves fazer dessas experiências assimiladas dos companheiros de pátrias mais elevadas que a tua. E quando alcançares igualmente outros mundos, que estejas preparado para levar a mensagem da fraternidade nas linhas do amor. Essa é a cooperação de uns para com os outros, no serviço do bem imortal.

Deus está vendo tudo o que se passa em todas as Suas casas, por intermédio dos Seus agentes, que moram em todos os mundos, e através das leis que palpitam em toda a criação.