Tolerância mútua

Referimo-nos, frequentemente, à necessidade de perdoar aos outros, acomodando-nos à situação de vítimas. Entretanto, é raro nos coloquemos na posição das criaturas que precisam da tolerância alheia.

E semelhantes situações nos aparecem vezes e vezes, quase sempre sem que nos apercebamos disso, conscientemente.

Isso acontece:

  • quando nos distraímos, a ponto de esquecer as próprias obrigações;
  • quando largamos os encargos que assumimos, sem pensar que sobrecarregamos os ombros alheios.
  • quando estamos apreensivos ou tensos e arremetemo-nos sobre os que nos cercam quais se fossem culpados de nossas tribulações;
  • quando aderimos ao boato, prejudicando pessoas ou envenenando acontecimentos;
  • quando arremessamos as farpas vibratórias da crítica negativa sobre os nossos irmãos, às vezes, até mesmo sem lhes conhecer a intimidade;
  • quando nos rendemos às tentações do ciúme e do egoísmo;
  • ou quando estendemos queixas e lamentações, complicando os problemas do
  • próximo.

Observando o assunto em sã consciência, conquanto nos reconheçamos no domínio do óbvio, convém registrar que não somente necessitamos de desculpar os outros, mas também precisamos ser perdoados, porquanto se hoje nos cabe doar o apoio da tolerância, a benefício daqueles que nos compartilham a vida, é possível que amanhã surja para nós a necessidade de receber.

Em toda e qualquer circunstância, conserva a consciência tranquila, porquanto, desse modo, a paz expressando alicerce, é uma luz que estará sempre dentro de ti.


Chico Xavier.

Paciência. CEU Editora, cap. 10.

Impaciência

Sempre que se te faça possível, pede aos Céus te fortaleça com a paciência para que não se te dificulte o caminho para a frente.

A impaciência não te servirá em circunstância alguma. Ao invés disso, a precipitação te criará  obstáculos de que não necessitas.

Se te aborreces por doença, seja em ti mesmo ou em pessoa querida, semelhante atitude apenas te agravará a situação, aumentado os tropeços em que, porventura, te encontres.

Se pretendes a obtenção de trabalho profissional, a impaciência te fará um candidato indesejável aos olhos daqueles que te prometem auxílio.

Se isso te acontece por desacertos na intimidade familiar, nada conseguirás daqueles que mais amas senão inquietude e dificuldades em derredor de ti.

Se almejas melhoria ou promoção no lugar em que estiveres, a impaciência se te erguerá por empecilho à realização dos desejos mais razoáveis e mais justos.

Se te revelas nesse tipo de intemperança mental, nessa ou naquela fila de pessoas que aspiram a adquirir qualquer recurso dos mais simples, talvez te transformes em motivação para delinqüência.

Em qualquer agitação exterior, mantém a serenidade necessária para que não destruas a formação do auxílio que já estará na direção do teu próprio endereço.

Nas horas atormentadas da vida, age com paciência e tolerância.

A paz em ti será paz nos outros e todos nós, seja aqui ou além, necessitamos de paz, a fim de viver fazendo o melhor.

Sorri, ainda quando as dificuldades nos sitiem por todos os lados.


Chico Xavier.

Paciência. CEU Editora, cap. 4.

Liderança

Não raro, ouvimos respeitáveis representantes das comunidades terrestres, reclamando líderes capazes de conduzi-las à concórdia e ao progresso, sem ódio e destruição.

Justo, no entanto, não esquecer que a Terra conhece o líder de todos os líderes humanos, habilitados a guiar a coletividade para o Reino do Bem.

Importante refletir que ele transportava consigo a própria grandeza sem mostrar consciência disso.

Não colheu da vida mais que o necessário à própria sustentação.

Associou-se a companheiros tão pobres e tão anônimos quanto ele o era no início da revelação de que se fazia mensageiro, a fim de realizar o apostolado que trazia.

Aconselhou o respeito aos condutores do poder humano mas nunca indicou a desordem e a crueldade para a solução dos problemas do mundo.

Conviveu com a multidão, compadecendo-se de suas aflições e necessidades.

Chamava a si os pequeninos, de modo a ouvi-los atentamente.

Amou aos enfermos, aliviando-lhes as enfermidades, com a força do amor, nascida na oração.

Amparou aos irmãos obsessos e dialogou com os desencarnados sofredores, endereçando-lhes expressões de esclarecimento e reconforto.

Alimentou os famintos, antes de ministrar-lhes a verdade.

Ensinou o perdão e a tolerância.

Não possuía ouro nem prata que lhe garantisse a influência.

Acusado sem culpa, aceitou agravos e injúrias, sem defender-se.

Executado por alguns de seus contemporâneos que se faziam adversários gratuitos, portou-se com humildade e grandeza de espírito, rogando a benevolência dos Céus para os seus próprios inimigos.

Entretanto, desde que desapareceu do cenário dos homens, passou a viver mais intensamente na Terra, conquistando corações para a sua causa.

Em vinte séculos, famosos condutores de povos foram esquecidos.

No entanto a influência do Líder dos líderes do mundo, sem ameaças e sem armas, cresce com os dias.

Quem estiver procurando liderança na Terra, saiba que Ele, Jesus Cristo, até hoje tem o nome de Senhor Jesus e, no limiar do terceiro milênio dos tempos novos, temo-lo sempre por esperança das criaturas e luz das nações.

Nas horas atormentadas da vida, age com paciência e tolerância.

Deus nos sustente de pé, aguardando a nossa cooperação destinada a reerguer os irmãos caídos.

Chico Xavier.

Paciência. CEU Editora, cap. 1.


Não te impacientes

A paternidade divina é amor e justiça para todas as criaturas.

Quando os problemas do mundo te afogueiam a alma, não abras o coração à impaciência, que ela é capaz de arruinar-te a confiança.

Quantos perderam as melhores oportunidades da reencarnação, unicamente por se haverem abraçado com o desespero!

A impaciência é comparável à força negativa que, muitas vezes, inclina o enfermo para a morte, justamente no dia em que o organismo entra em recuperação para a cura.

Se queres o fruto, não despetales a flor.

Nas situações embaraçosas, medita caridosamente nos empeços que lhe deram origem! Se um irmão faltou ao dever, reflete nas dificuldades que se interpuseram entre ele os compromissos assumidos. Se alguém te nega um favor, não te acolhas a desânimo ou frustração, de vez que, enquanto não chegarmos ao plano da Luz Divina, nem sempre nos será possível conhecer, de antemão, tudo o de bom ou de mal que poderá sobrevir daquilo que nós pedimos. Não te irrites diante de qualquer obstáculo, porquanto reclamações ou censuras servirão, apenas para torna-los maiores.

Quase sempre a longa expectativa, em torno de certas concessões que disputamos, não é senão o amadurecimento do assunto para que não falhem minudências importantes.

Não queremos dizer que será mais justo te acomodes à inércia. Desejamos asseverar que impaciência é precipitação e precipitação redunda em violência.

Para muitos, a serenidade é a preguiça vestida de belas palavras. Os que vivem, porém, acordados para as responsabilidades que lhes são próprias sabem que paciência é esperança operosa: recebem obstáculos por ocasiões de trabalho e provações por ensinamentos.

Aguarda o melhor da vida, oferecendo à vida o melhor que puderes. O lavrador fiel ao serviço espera a colheita, zelando a plantação.

A casa nasce dos alicerces, mas, para completar-se pede atividades e esforços de acabamento.

Não te irrites.

Quem trabalha pode contar com o tempo. Se a crise sobrevém na obra a que te consagras, pede a Deus, não apenas te abençoe a realização em andamento, mas também a força precisa para que saibas compreender e servir, suportar e esperar.


Emmanuel

Caminho espírita. cap. 5.

Caminho espírita

Há caminhos, os mais diversos tanto quanto existem princípios religiosos, os mais diferentes. E se as estradas, sejam quais sejam, expressam-se por vias de comunicação, no plano físico, as religiões de qualquer procedência, são vias de intercâmbio, no reino da alma.

Fácil verificar que se temos caminhos agrestes, nas vastidões do campo, surpreendemos religiões primitivas em paragens remotas da terra; se contamos com estradas particulares, unicamente abertas aos que jazem segregados no critério de elite, identificamos sistemas de fé somente acessíveis aos que se comprazem na ideia exclusivista do privilégio; se dispomos de trilhas improvisadas, absolutamente distantes de qualquer sentido de estabilidade ou de ordem, valendo por estreitos esboços de rodovias futuras, encontramos veredas religiosas, fundamentalmente presas a interpretação individual, carecentes de organização e de lógica, simbolizando simples esforços isolados que servirão, de algum modo, à consolidação da verdade no porvir.

Recorremos a semelhantes imagens para definir a Doutrina Espírita, como sendo atualmente a avenida segura de nossos interesses imperecíveis, lembrando rodovia legalmente constituída ante os Poderes Superiores da Vida, administrada à luz dos códigos de trânsito, formados na base da justiça igual para a comunidade dos viajantes. Nela, a Doutrina Espírita, que revive os ensinamentos do Cristo de Deus, possuímos a religião universal do amor e da sabedoria, cujas diretrizes funcionam na consciência de cada um, com amparo e orientação para todos e sem favoritismo ou exclusão para ninguém, tão válidos na Terra, quanto em qualquer ou lar planetário da imensa família cósmica.

Emmanuel

Tudo novo

 Assim é que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Paulo (II Coríntios, 5:17).

É muito comum observarmos crentes inquietos, utilizando recursos sagrados da oração para que se perpetuem situações injustificáveis tão só porque envolvem certas vantagens imediatas para suas preocupações egoísticas.

Cristo ensinou a paciência e a tolerância, mas nunca determinou que seus discípulos estabelecessem acordo com os erros que infelicitam o mundo. Em face desta decisão, foi à cruz e legou o último testemunho de não violência, mas também de não acomodação com as trevas em que se compraz a maioria das criaturas.

Não se engane o crente acerca do caminho que lhe compete.

Em Cristo tudo deve ser renovado. O passado delituoso estará morto,as situações de dúvida terão chegado ao fim, as velhas cogitações do homem carnal darão lugar à vida nova em espírito, onde tudo signifique sadia reconstrução para o futuro eterno.


Caminho, verdade e vida. FEB Editora, cap. 7.