O Livro dos Espíritos


O Livro dos Espíritos (na língua francesa, Le Livre des Esprits) é o primeiro livro da Codificação Espírita publicado por Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869),  educador, autor e tradutor francês, sob o pseudônimo de Allan Kardec. Esta obra contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as Leis Morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade (segundo os ensinamentos dos Espíritos Superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec). É uma das oito obras fundamentais para o estudo da Doutrina Espírita juntamente com: O que é o Espiritismo (1859); O Livro dos Médiuns (1861); O Evangelho Segundo o Espiritismo (1863); O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865); A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868), Obras Póstumas (1890) e Revista Espírita (1858-1869).

História

4ª Edição de O Livro dos Espíritos
de 1860 em Paris
A obra veio a público em 18 de abril de 1857, lançada no Palais Royal, em Paris, na forma de perguntas e respostas, originalmente compreendendo 501 itens. Foi fruto dos estudos de Kardec sobre os fenômenos das mesas girantes, difundidos por toda a Europa em meados do século XIX, e que, segundo muitos pesquisadores da época, possuíam origem mediúnica. Foi o primeiro de uma série de cinco livros editados pelo pedagogo sobre o mesmo tema.

As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens Caroline e Julie Boudin (respectivamente, com 16 e 14 anos à época), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (com 18 anos à época) e a senhorita Ermmance Defaux (14 anos na época), que tinha como guia espiritual São Luiz, no processo de revisão do livro. Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido à comparação com as comunicações obtidas por outros médiuns franceses, num total de "mais de dez", nas palavras de Kardec, cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação do texto.

Segundo Canuto de Abreu, na página VII de O Primeiro Livro dos Espíritos, a segunda edição francesa foi lançada em 18 de março de 1860, tendo o Livro dos Espíritos, naquela reimpressão, sido revisto quase "como trabalho novo, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração, salvo pequeníssimo número de exceções, que são antes complementos e esclarecimentos que verdadeiras modificações". Para esta revisão, Kardec manteve contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas.

Nesta segunda edição é que aparecem 1018 perguntas e respostas, sendo que algumas edições atuais trazem 1019 perguntas, acréscimo que, segundo a FEB (Federação Espírita Brasileira), foi devido ao Codificador não ter numerado a pergunta imediatamente após a 1010, aquela que seria a 1011. Assim sendo, o livro teria, na prática, 1019 e não, 1018 perguntas.

Características

O Livro dos Espíritos é a obra fundadora da Doutrina Espírita ou Espiritismo. Ele trata dos aspectos científico, filosófico e religioso da doutrina, lançando as bases que seriam posteriormente aprofundadas, por Allan Kardec, nas demais obras da Codificação Espírita. A sua edição definitiva é composta de quatro partes: 
(1) Livro Primeiro - Causas primeiras; 
(2) Livro Segundo - Mundo espiritual ou dos Espíritos; 
(3) Livro Terceiro - Leis morais; 
(4) Livro Quarto - Esperanças e consolações.

A obra encontra-se divida da seguinte forma:

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

PROLEGÔMENOS

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMÁRIAS:

CAPÍTULO I - DEUS
Deus e o Infinito.
Provas da Existência de Deus.
Atributos da Divindade.
Panteísmo.

CAPÍTULO II - ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO
Conhecimento do Princípio das Coisas.
Espírito e Matéria.
Propriedades da Matéria.
Espaço Universal.

CAPÍTULO III - CRIAÇÃO
Formação dos Mundos.
Formação dos Seres Vivos.
Povoamento da Terra. Adão.
Diversidade das Raças Humanas.
Pluralidade dos Mundos.
Considerações e Concordâncias Bíblicas Referentes à Criação.

CAPÍTULO IV - PRINCÍPIO VITAL
Seres Orgânicos e Inorgânicos.
A Vida e a Morte.
Inteligência e Instinto.

LIVRO SEGUNDO - MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS:

CAPÍTULO I - DOS ESPÍRITOS
Origem e Natureza dos Espíritos.
Mundo Normal Primitivo.
Forma e Ubiquidade dos Espíritos.
Perispírito.
Escala Espírita.
Progressão dos Espíritos.
Anjos e Demônios.

CAPÍTULO II - ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS
Finalidade da Encarnação.
Da Alma.
Materialismo.

CAPÍTULO III - RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL
A Alma após a Morte. Sua Individualidade. Vida Eterna.
Separação da Alma e do Corpo.
Perturbação Espírita.

CAPÍTULO IV - PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
Da reencarnação.
Justiça da Reencarnação.
Encarnação nos Diferentes Mundos.
Transmigração Progressiva.
Sorte das Crianças Após a Morte.
Sexo nos Espíritos.
Parentesco, Filiação.
Semelhanças Físicas e Morais.
Ideias Inatas.

CAPÍTULO V - CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

CAPÍTULO VI - VIDA ESPÍRITA
Espíritos Errantes.
Mundos Transitórios.
Percepções, Sensações e Sofrimentos dos Espíritos.
Ensaio Teórico Sobre a Sensação dos Espíritos.
Escolha das Provas.
Relações de Além-Túmulo.
Relações Simpáticas e Antipáticas dos Espíritos. Metades Eternas.
Lembrança da Existência Corpórea.
Comemoração dos Mortos. Funerais.

CAPÍTULO VII - RETORNO À VIDA CORPORAL
Prelúdio do Retorno.
União da Alma com o Corpo. Aborto.
Faculdades Morais e Intelectuais.
Influência do Organismo.
Idiotismo e Loucura.
Da Infância.
Simpatias e Antipatias Terrenas.
Esquecimento do Passado.

CAPÍTULO VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA
O Sono e os Sonhos.
Visitas Espíritas Entre Vivos.
Transmissão Oculta de Pensamentos.
Letargia, Catalepsia, Morte Aparente.
O Sonambulismo.
Êxtase.
Dupla Vista.
Resumo Teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista.

CAPÍTULO IX - INTERVENÇÕES DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO
Penetração do Nosso Pensamento Pelos Espíritos.
Influência Oculta dos Espíritos Sobre os Nossos Pensamentos e Nossas Ações.
Possessos.
Convulsionários.
Afeição dos Espíritos por Certas Pessoas.
Anjos da Guarda, Espíritos Protetores, Familiares ou Simpáticos.
Pressentimentos.
Influência dos Espíritos Sobre os Acontecimentos da Vida.
Ação dos Espíritos Sobre os Fenômenos da Natureza.
Os Espíritos Durante os Combates.
Dos Pactos.
Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros.
Bênção e Maldição.

CAPÍTULO X - OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS

CAPÍTULO XI - OS TRÊS REINOS
Os minerais e as Plantas.
Os animais e o Homem.
Metempsicose.

LIVRO TERCEIRO - AS LEIS MORAIS

CAPÍTULO I - A LEI DIVINA OU NATURAL
Caracteres da Lei Natural.
Conhecimento da Lei Natural.
O Bem e o Mal.
Divisão da Lei Natural.

CAPÍTULO II - LEI DE ADORAÇÃO
Finalidade da Adoração.
Adoração Exterior.
Vida Contemplativa.
Da Prece.
Politeísmo.
Sacrifícios.

CAPÍTULO III - LEI DO TRABALHO
Necessidade do Trabalho.
Limite do Trabalho. Repouso.

CAPÍTULO IV - LEI DA REPRODUÇÃO
População do Globo.
Sucessão e Aperfeiçoamento das Raças.
Obstáculos à Reprodução.
Casamento e Celibato.
Poligamia.

CAPÍTULO V - LEI DA CONSERVAÇÃO
Instinto de Conservação.
Meios de Conservação.
Gozo dos Bens da Terra.
Necessário e Supérfluo.
Privações Voluntárias. Mortificações.

CAPÍTULO VI - LEI DE DESTRUIÇÃO
Destruição Necessário e Destruição Abusiva.
Flagelos Destruidores.
Guerras.
Assassino.
Crueldade.
Duelo.
Pena de Morte.

CAPÍTULO VII - LEI DE SOCIEDADE
Necessidade da Vida Social.
Vida de Isolamento. Voto de Silêncio.
Laços de Família.

CAPÍTULO VIII - LEI DO PROGRESSO
Estado Natural.
Marcha do Progresso.
Povos Degenerados.
Civilização.
Progresso da Legislação Humana.
Influência do Espiritismo no Progresso.

CAPÍTULO IX - LEI DE IGUALDADE
Igualdade Natural.
Desigualdade de Aptidões.
Desigualdades Sociais.
Desigualdade das Riquezas.
Provas da Riqueza e da Miséria.
Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher
Igualdade Perante o Túmulo.

CAPÍTULO X - LEI DE LIBERDADE
Liberdade Natural.
Escravidão.
Liberdade de Pensamento.
Liberdade de Consciência.
Livre-Arbítrio.
Fatalidade.
Conhecimento do Futuro.
Resumo Teórico do Móvel das Ações Humanas.

CAPÍTULO XI - LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE
Justiça e Direito Natural.
Direito de Propriedade. Roubo.
Caridade e Amor ao Próximo.
Amor Maternal e Filial.

CAPÍTULO XII - PERFEIÇÃO MORAL
As Virtudes e os Vícios.
Das Paixões.
Do Egoísmo.
Características do Homem de Bem.
Conhecimento de Si Mesmo.

LIVRO QUARTO - ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES

CAPÍTULO I - PENAS E GOZOS TERRENOS
Felicidade e Infelicidade Relativas.
Perda de Entes Queridos.
Decepções, Ingratidão, Quebra de Afeições.
Uniões Antipáticas.
Preocupação com a Morte.
Desgosto pela Vida. Suicídio.

CAPÍTULO II - PENAS E GOZOS FUTUROS
O Nada. A Vida Futura.
Intuição das Penas e dos Gozos Futuros.
Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas.
Natureza das Penas e Gozos Futuros.
Penas Temporárias.
Expiação e Arrependimento.
Duração das Penas Futuras.
Ressurreição da Carne.
Paraíso, Inferno, Purgatório. Paraíso Perdido. Pecado Original.

CONCLUSÃO


Questão 46 - O Livro dos Espíritos


LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

46. Ainda há seres que nasçam espontaneamente?
Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e do dos animais não encerram os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida que lhes é necessária à existência? É um mundo minúsculo que dormita e se cria.

Comentário do Espírito Miramez 
ESPONTANEAMENTE
A espontaneidade a que necessariamente devemos nos referir é a de formação de animais mais evoluídos, e não a de surgimento de bactérias. Já nos encontramos em um mundo capaz de gerar pela espécie, dada à idade do planeta, na escala dos mundos. A geração espontânea é induzida por forças espirituais, ou seja, os benfeitores da espiritualidade maior trabalham no seio bendito da matéria, para que esta alcance maiores valores e abra as comportas de forças ativas, para estimular outros campos de vida, dentro da vida natural.

Sejamos estudiosos. Não percamos tempo. As oportunidades são poucas e difíceis no campo do aprendizado. Tudo o que resta depende de nós porque Deus já fez a parte d'Ele, e sempre nos ajuda a empenharmos na nossa. Como cruzar os braços? Problemas sempre existiram, infortúnios são presentes no caminho e a dor é o ajudante inesquecível da humanidade. O nosso dever é lutar com todas as forças, sem esquecer a fé que estimula o trabalho no bem.

A ciência desempenha um grande papel na face da Terra, o progresso, de certa forma, assenta-se nela, porque o saber, notadamente, é comandado pelos Espíritos superiores que Jesus colocou em várias divisões científicas. Entretanto, a ciência do futuro, nos campos que deve progredir, entrelaçar-se-á com a religião, porém, com relação a esta última, é necessário compreender seu verdadeiro objetivo, que é o de levar a mensagem do Amor por onde passar.

A espontaneidade pela qual deveremos nos interessar, portanto, é aquela que nasce nos sentimentos e que se relaciona com os valores correspondentes à fraternidade universal, à educação das criaturas, enfim, ao aprimoramento da alma em tudo o que tange à elevação espiritual.

A humanidade caminha sempre para frente, não há retrocesso nas leis estabelecidas por Deus. Há diversidade dos caminhos que escolhemos, porém, todos eles nos levam igualmente à perfeição espiritual. O tempo, cada vez mais, vai desaparecendo na pauta das nossas cogitações, e o espaço perde a sua existência, cedendo lugar a outras modalidades de vida, com a sequência evolutiva dos Espíritos.

Sê espontâneo para realizar a caridade nas divisões que te compete enriquecer, mas, deves te interessar mais pela caridade contigo mesmo. Se parares para pensar um pouco, para fazer um auto-exame em tua vida, perceberás o quanto tens a fazer na correção de ti mesmo, e é o que deve ser feito. O que vier a mais, serão conseqüências desse trabalho de luz. Os maiores inimigos que te perseguem não estão fora, mas dentro, dominando talvez os teus sentimentos. Os acontecimentos exteriores apenas despertam o que mora no íntimo do coração. O valente é aquele que teme a si mesmo, mas que sempre tem coragem para lutar contra as próprias imperfeições e vencê-las. Não deves abandonar as corrigendas, porque o campo de aperfeiçoamento é muito grande, e quando quiseres deitar sementes que constroem e edifiquem, busca Jesus, recorre ao imenso celeiro que é o Evangelho, porque a nossa paz depende de nós, de nossa parte que está por fazer.

Sê espontâneo na cordialidade. Ninguém poderá viver sozinho. A vida é um entrelaçamento de amor entre as criaturas. Todas as vezes que esqueceres teu irmão em caminho, ou que tiveres oportunidade de o ajudar e não o fizeres, retardarás teus próprios passos.

Queiramos ou não, somos todos entes interligados uns aos outros, com as bênçãos de Deus.