Perdoar é uma atitude e uma
decisão que pode ser das mais difíceis, para milhões de pessoas. Quando alguém
pede perdão a outro está dizendo que reconhece o seu erro e a sua culpa, e que,
por isso, põe-se na presença de quem foi atingido, por sentimentos, palavras
e/ou atos que feriram a sua dignidade, propriedade ou sensibilidade. Pedir perdão
é, também, uma forma de humilhar-se. Perdoar, por sua vez, é responder que
reconhece a sinceridade no arrependimento daquele que vai ao seu encontro com a
disposição de mudar de atitude.
Algo muito estranho aconteceu e
vem acontecendo em nossos dias. As pessoas perderam a vergonha e o receio de
pedir desculpas. Antigamente, nossos avós sentiam-se constrangidos em
colocar-se diante do outro e expor-se, humilhar-se, reconhecer os próprios
erros. E, à primeira vista, essa mudança de atitude pode parecer boa. Seria
motivo de alegria que as pessoas tivessem se tornado menos orgulhosas e mais
abertas ao próximo, mais predispostas a pedir perdão e reconhecer as próprias
faltas, falhas e desvios.
Todavia não é bem assim. O
problema é que agora as pessoas pronunciam as palavras desculpa e perdão
com muita facilidade, mas, muitas vezes, sem pensar no que aquelas palavras
implicam, no que significa realmente aquele gesto e aquela atitude. É muito
fácil para qualquer pessoa extrovertida dizer: desculpe, ou, como se diz
hoje: foi mal aí.... Mas a questão é que essas palavras vem sendo ditas
sem reflexão, sem um real sentido de arrependimento, sem a firme e sincera
disposição interior para se mudar de atitude – e não voltar a repetir o erro –
a partir dali, a partir daquela decisão, assumida naquele momento. O que vem
ocorrendo –, desgraçadamente –, é a banalização do gesto sagrado de se pedir
perdão.






