Estudo do espiritismo

PRINCÍPIOS NORTEADORES

Inúmeras vezes já fomos lembrados do apelo contido no Evangelho Segundo o Espiritismo: “Espíritas! Amai-vos, esse o primeiro ensinamento; instruí-vos, esse o segundo.” (Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5).

Neste sentido, a Doutrina Espírita apresenta-nos um conteúdo educacional grandioso visando a nossa evolução moral e, nas obras fundamentais, Kardec adverte-nos constantemente que “a explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, suas causas e consequências morais constituem toda uma ciência e toda uma filosofia, que requer um estudo sério, perseverante e aprofundado” (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, parte 1ª, capítulo II, item 14).

Kardec aponta ainda:

O estudo de uma doutrina, tal como a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova e tão grande, não pode ser realizado com proveito senão por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. (...). O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Devemos admirar-nos de não obter, com frequência, nenhuma resposta sensata a questões de si mesmas graves, quando as fazemos ao acaso e à queima-roupa, em meio a uma enxurrada de perguntas extravagantes? Além disso, acontece muitas vezes que uma questão complexa, para ser esclarecida, exige outras preliminares ou complementares. Quem quer adquirir uma ciência deve fazer um estudo metódico dela, começar pelo princípio e seguir o encadeamento e o desenvolvimento das ideias. (...) (Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Introdução, item VIII).

Doutrina dos Espíritos

O que é uma Doutrina?

Doutrina é um conjunto de princípios que servem de base para um sistema de idéias. O direito, por exemplo, é baseado em princípios doutrinários como aquele que afirma: “todos são iguais perante a lei”, ou “não se deve penalizar o mesmo réu duas vezes pela mesma falta”.

O Espiritismo é o conhecimento e a prática dos princípios da Doutrina dos Espíritos que as pessoas conseguem entender e aplicar no seu dia a dia.

Estes princípios são, Deus como o fundamento do fundamento da vida; Jesus como exemplo de comportamento; reencarnação como oportunidade de voltar ao polisistema material para aplicar e ampliar o conhecimento; o livre arbítrio como meio de permitir o aprendizado da liberdade com responsabilidade e a mediunidade como meio de comunicação entre o polisistema material e o polisistema espiritual.

Jesus e a moral cristã

Jesus, vivendo o seu tempo, construiu valores universais únicos, que, pela profundidade e extensão, modificaram os aspectos culturais, sociais, políticos e econômicos da humanidade. Para o Espiritismo, esses valores são conceitos fundamentais, sendo a moral cristã o eixo de sua visão de mundo e interpretação da realidade.

O Espiritismo entende que o significado de Jesus encontra-se em seu exemplo de vida, fazendo e demonstrando a viabilidade de um padrão de comportamento. Foi a força de seu exemplo que deu significado à sua existência e não a série de mitos, interpretações e dogmas que foram agregados ao entendimento de sua mensagem. Portanto, é fundamental que o espírita possa fazer essas distinções.

Para a Doutrina Espírita, Jesus, como todo ser humano, nasceu da união entre um homem e uma mulher e não de uma forma sobrenatural. De origem humilde, não era descendente de Davi e não possuía nenhuma pretensão ao poder temporal.

Evolução

O conceito de evolução é parte fundamental do pensamento contemporâneo. Diante de sua relativa simplicidade e importância, parece impossível que há muito tempo não fosse uma ideia corrente. No entanto, evolução é um fato muito recente em todo o pensamento científico, filosófico e religioso.

A antiga tradição ocidental não considerava a evolução. Tanto a tradição grega como a judaico-cristã não avaliavam a natureza, o ser humano e a vida sob a perspectiva de modificação ao longo do tempo.

O conceito de Evolução também não foi considerado na Idade Média. A religião, em particular, atribuía ao ser humano uma criação especial, um ato da vontade de Deus e símbolo de seu poder e sabedoria. Criado à imagem de Deus, o homem não poderia se modificar ou ser comparado aos animais. A natureza teria sido criada para servir aos homens. Predominava a ideia de um tempo anterior de grandes realizações, uma idade de ouro, e, a seguir, a decadência. A crença na expulsão do paraíso reforçava essa noção. O passado teria sido melhor.

Harmonia entre os evangelhos

Assunto

Mateus

Marcos

Lucas

João

Introdução de Lucas

 

 

1:1-4

 

A divindade de Jesus

 

 

 

1:1-5; 9-14

Predição do nascimento de João Batista e de Jesus

 

 

1:5-17

 

Maria corre o risco de ser rejeitada

1:18-19

 

 

 

O nascimento de Jesus

 

 

2:1-20

 

A genealogia de Jesus segundo a família do pai e da mãe

1:1-17

 

5:23-38

 

A circuncisão de Jesus; a purificação de Maria

 

 

2:21-40

 

Os magos

2

 

 

 

O menino Jesus no meio dos doutores

 

 

2:41-52

 

O ministério de João

3:1-12

1:1-8

3:1-18

1:6-8

O batismo de Jesus

3:13:17

1:9-11

3:21-22

 

A tentação de Jesus

4:1-11

1:12-15

4:1-13

 

O testemunho de João a respeito de Jesus

 

 

 

1:19

O primeiro milagre de Jesus

 

 

 

2

Jesus com Nicodemos

 

 

 

3

O encarceramento de João

14:3-5

6:17-20

3:19-20

 

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que Sois todo poder e bondade, deu força àquele que passa pela provação, deu a luz àquele que procura a verdade, pôs no coração do humano a compaixão e a caridade.
Deus! Deste ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
Pai! Deste ao culpado o arrependimento, ao Espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.
Senhor! Vossa bondade se estende sobre tudo o que criastes.
Toda a Piedade, Senhor, para aqueles que não Vos reconhecem; Toda a esperança para aqueles
que sofrem. Vossa bondade permite aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a Terra. Deixa-nos beber das fontes desta bondade fecunda e infinita, onde todas as lágrimas secam, todas as dores acalmam-se.