A Gênese – Capítulo II

Deus

Existência de Deus

1. Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da Criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo.

2. Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta. Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.

3. Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente.

Se perguntassem qual o construtor de certo mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez a si mesmo? Quando se contempla uma obra-prima da arte ou da indústria, diz-se que há de tê-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la. Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se verificar que não está acima da capacidade humana; mas a ninguém acudirá a ideia de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso.

A Gênese - Capítulo I

A GÊNESE SEGUNDO O ESPIRITISMO

CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

1. Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Neste caso, qual o seu caráter? Em que se funda a sua autenticidade? A quem e de que maneira foi ela feita? É a Doutrina Espírita uma revelação, no sentido teológico da palavra, ou por outra, é, no seu todo, o produto do ensino oculto vindo do Alto? É absoluta ou suscetível de modificações? Trazendo aos homens a verdade integral, a revelação não teria por efeito impedi-los de fazer uso das suas faculdades, pois que lhes pouparia o trabalho da investigação? Qual a autoridade do ensino dos Espíritos, se eles não são infalíveis e superiores à humanidade? Qual a utilidade da moral que pregam, se essa moral não é diversa da do Cristo, já conhecida? Quais as verdades novas que eles nos trazem? Precisará o homem de uma revelação? E não poderá achar em si mesmo e em sua consciência tudo quanto é mister para se conduzir na vida? Tais as questões que importa nos fixemos.

2. Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelāre, cuja raiz, vēlum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer ideia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos. Deste ponto de vista, todas as ciências que nos fazem conhecer os mistérios da natureza são revelações e pode dizer-se que há para a humanidade uma revelação incessante. A Astronomia revelou o mundo astral, que não conhecíamos; a Geologia revelou a formação da Terra; a Química, a lei das afinidades; a Fisiologia, as funções do organismo etc.; Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier foram reveladores.

3. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por consequência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele: deve ser considerada produto de uma concepção humana.

Livros básicos do Espiritismo

São cinco os livros básicos do Espiritismo: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo,  O Céu e o Inferno, e A Gênese. São também conhecidos como Pentateuco e constituem a Codificação da Doutrina Espírita.

O Livro dos Espíritos

Sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade segundo os ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns recebidos e coordenados por Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos foi lançado por Allan Kardec em 1857, é o principal livro da Doutrina Espírita. Podemos chamá-lo de espinha dorsal, pois sustenta todas as outras obras doutrinárias. Divide-se em quatro partes: "As causas primárias"; "Mundo espírita ou dos Espíritos"; "As leis morais"; e "Esperanças e consolações".

Na primeira parte do Livro, o autor estuda as causas primárias, Deus, o espírito e a matéria. Traça considerações a respeito do princípio vital e da criação.

Na parte segunda, Kardec vai dissecar em profundidade o Mundo dos Espíritos; a encarnação, a desencarnação, a missão e ocupação dos Espíritos, bem como seu inter-relacionamento com os homens.

O Céu e o Inferno

PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA

CAPÍTULO I

O PORVIR E O NADA

1. Os questionamentos apresentados por Kardec já no início do livro, são os mesmos que a humanidade vem tentando decifrar há séculos. Afinal, todos morrem fisicamente. E para onde vamos? Que será feito de nós?

Esses questionamentos apresentam-se ao lado da necessidade e do gosto de viver, pois todos buscamos a felicidade. Observe-se, por exemplo, que ao falar sobre isso, a maioria das pessoas foge do assunto e prefere ignorar a questão. Todavia, a Doutrina Espírita aborda o tema em profundidade e nesta obra magistral da Codificação, Kardec já inicia direto com tais perguntas, que devem interessar diretamente a todos nós.

Fico a pensar de que valeriam todos os esforços empreendidos na presente existência, se tudo se acabasse com a morte. A própria lógica indica que não é assim. Há algo mais além da brevidade da existência física.

Faça-se breve comparação com um filho. A ele dedicamos toda atenção e amor, e nunca ficamos a imaginar que aquele corpo físico um dia vai morrer também. As alegrias e os cuidados com um filho indicam, ainda que intuitivamente, que o futuro o aguarda e que devemos auxiliá-lo a tornar-se uma pessoa digna, honrada, decente, moralizada. Este o objetivo de viver. Ao mesmo tempo, interessamo-nos em estudar, aprender coisas novas, aumentamos nosso círculo de amizades e relacionamentos. Como fica isso no futuro?

O Livro dos Médiuns

PRIMEIRA PARTE

NOÇÕES PRELIMINARES

 

CAPÍTULO I

Há Espíritos?

Existência de Deus - "A existência da alma e a de Deus, consequência uma da outra, constituindo a base de todo o edifício, antes de travarmos qualquer discussão espírita, importa indaguemos se o nosso interlocutor admite essa base".

Imortalidade da alma - "O corpo não passa de um acessório seu, de um invólucro, uma veste, que ele deixa, quando usada. Além desse invólucro material, tem o Espírito um segundo, semimaterial, que o liga ao primeiro. Por ocasião da morte, despoja-se deste, porém não do outro, a que damos o nome de perispírito."

Pluralidade das existências - "Dizei mais que as almas não atingem o grau supremo, senão pelos esforços que façam por se melhorarem e depois de uma série de provas adequadas à sua purificação; que os anjos são almas que galgaram o último grau da escala, grau que todas podem atingir, tendo boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas, e lhes tereis dado à felicidade um fim mais útil e mais atraente, do que fazendo-a consistir numa contemplação perpétua, que não passaria de perpétua inutilidade. Dizei, finalmente, que os demônios são simplesmente as almas dos maus, ainda não purificadas, mas que podem, como as outras, ascender ao mais alto cume da perfeição e isto parecerá mais conforme a justiça e à bondade de Deus, do que a doutrina que os dá como criados para o mal e ao mal destinados eternamente. Ainda uma vez: aí tendes o que a mais severa razão, a mais rigorosa lógica, o bom-senso, em suma, podem admitir."

Por quem devemos orar. Parte 1

POR QUEM DEVEMOS ORAR?

Primeiramente por nós mesmos, por nossos parentes, pelos nossos amigos e inimigos, deste e do outro mundo; devemos orar pelos que sofrem e por aqueles por quem ninguém ora.

Prece para si mesmo

Um poderoso auxiliar do espírito em esforço evolutivo é a prece, que terá que ser feita, conforme o Evangelho, em recolhimento, sem exibição, e empregando apenas as palavras necessárias, sem excesso verbal. Da mesma forma, Deus será adorado “em espírito e verdade”, ou seja, no intimo da criatura e com sinceridade, não havendo precisão de atos exteriores. (Evolução para o terceiro milênio, item 7)

A prece é sempre um atestado de boa vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Espíritos devedores sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de solidariedade em nosso beneficio, mas também como vacina contra a reincidência no mal. Além disso, a prece faculta-nos a aproximação com grandes benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização de novo roteiro para caminhada segura. (Ação e reação, cap. 19)

A nossa prece deve ser clara, simples e concisa, sem frases inúteis que dão brilho falso. Cada palavra deve ter sua importância e revelar uma ideia, deve fazer-nos refletir, tocar nosso coração; só com essa condição, a prece pode alcançar o seu objetivo. Porque se não entendo o que significam as palavras, meu coração ora, mas minha inteligência está sem fruto; é impossível ligar um pensamento ao que não se compreende, porque o que não se compreende, não toca ao coração é apenas um conjunto de palavras que não dizem nada ao espírito, e não revela a minha vontade.