Jejum e tentação de Jesus
(Mateus,
4:1-11; Marcos, 1:12,13)
1.
Cheio de Espírito Santo, Jesus se afastou do Jordão e foi, pelo Espírito
impelido para o deserto. 2. Aí permaneceu quarenta dias e foi tentado pelo
diabo; nada comeu durante esses dias e, passados eles, teve fome. 3. Disse-lhe
então o diabo: Se és filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pão. 4.
Jesus lhe respondeu: Está escrito: O homem não vive somente de pão, mas de toda
palavra de Deus. 5. O diabo o transportou para um alto monte e lhe mostrou, num
instante, todos os reinos da Terra, 6, dizendo-lhe: Dar-te-ei todo esse poder e
a glória destes reinos, porquanto eles me foram dados e eu os dou a quem quero.
7. Se, pois, anuíres em me adorar, todas essas coisas te pertencerão. 8. Jesus
lhe respondeu: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás. 9.
O diabo ainda o transportou a Jerusalém e, colocando-o no pináculo do templo,
disse: Se és filho de Deus, lança-te daqui a baixo; 10, pois está escrito haver
ele ordenado a seus anjos que tenham cuidado contigo, que te guardem. 11. e te
amparem com suas mãos, para que não firas o pé nalguma pedra. 12. Jesus lhe
respondeu: Está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. 13. Acabada a
tentação, o diabo se afastou dele por algum tempo.
Disse o divino Mestre e
Paulo repetia: a letra mata e o espírito vivifica, de modo a ficar bem
entendido que, para a compreensão das sagradas letras, não nos devemos prender
às palavras. Temos, pois, prescientemente uma regra de interpretação, a que
antes podemos chamar autêntica, que de doutrinal ou lógica, porque nos conduz à
indagação do pensamento e do sentido da lei ou do ensino, à pesquisa das
causas, da derivação histórica e das circunstâncias de tempo em que foi dado
este, ou promulgada aquela, assim com suas fontes de origem, sua razão de ser e
seus fins. É uma regra, em suma, que nos faculta a hermenêutica ou arte de
afiançarmos o verdadeiro sentido dos textos sagrados.