MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os minerais e as plantas
590. Não haverá nas plantas,
como nos animais, um instinto de conservação, que as induza a procurar o que
lhes possa ser útil e a evitar o que lhes possa ser nocivo?
“Há,
se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao
significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando,
nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro
convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome
de instinto.”
Instinto de conservação
As árvores não têm um
instinto de conservação como se opera nos animais, e mesmo nos homens; o
"instinto" nelas é mais mecânico, no entanto, ele cresce no
desenvolvimento das formas que, aos olhos humanos, é imperceptível.
Todos os reinos da natureza buscam o mais alto. Em toda a extensão do universo se nota essa força poderosa que a tudo arrasta, que a tudo comanda. O pensamento de Deus programa toda a vida no fluido cósmico, ou seja, no hálito divino, que se renova na sua circulação universal, em tudo penetrando, assegurando assim o bem-estar, a harmonia em todas as coisas. Essa programação de vida é assimilada por tudo o que existe, e essa assimilação é de acordo com o crescimento de quem respira. Do átomo até ao homem, e deste até aos anjos, a bênção é para todos, porém, cada um recebe o que precisa receber. Essa é a justiça, o amor.
Se queres pensar que as
árvores têm instinto de conservação, podes pensá-lo; no entanto, deves observar
que isso ocorre em dimensão diferente dos animais. Em tudo penetra a
inteligência divina, comandando todos os elementos nos seus devidos lugares,
para que haja ordem nas formas. Observa a química: quando os corpos se repelem
ou se atraem, é o mecanismo da vida que se expande em todas as direções. Daí é
que se parte para o crescimento em busca do que o homem possui e os anjos
conquistaram. É nesse sentido que devemos respeitar tudo o que nos cerca, por
ter saído do mesmo foco que nós outros.
O amor é tão grande, que
tudo que existe e a que nos dedicamos, nos responde com o amor, nos responde
com perfeita troca de elementos sutis à percepção comum. O amor é a semente
divina que devemos semear, porque a colheita não pode ser, por justiça, a mesma
de quem não se preocupou em plantar. Se os minerais, plantas e animais estão na
nossa retaguarda, porque não ajudar esses reinos a subir a escada que já
palmilhamos, se os que estão em nossa frente estão sempre nos dando as mãos? Se
Deus é amor, o nosso dever é amar a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como
a nós mesmos, para que a vida se expresse como luz nos nossos caminhos.
Cada planta é um laboratório
divino, na divina seara do Senhor. Ela sabe selecionar os elementos que lhe
possam sustentar a vida. Um pé de laranja não dá abacaxi, mesmo que estiverem
juntos no mesmo campo e irrigados com a mesma água, soprados pelo mesmo ar e
adubados pelo mesmo adubo. É o mecanismo do seu mundo oculto, é o comando de
Deus pelos Seus recursos espirituais. Os agentes da vida maior estão espalhados
em toda a criação, e eles entendem como se deve fazer e comandar, em nome do
Criador, em se falando no crescimento das coisas. São poucos, mas esses tiraram
a nota máxima na universidade da Terra, usando um corpo físico. A missão não é
somente no mundo religioso, o mesmo ocorre com diversos trabalhos artísticos, e
muitas descobertas científicas. Os missionários são diversos no mundo inteiro,
operando em fatores diferentes, para ajudar ao progresso e sustentar, de certa
forma, a existência de Deus e a presença dos Seus agentes de luz, nos caminhos
dos homens.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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