O livro dos espíritos. Q. 593

MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS

CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS

Os animais e o homem

593. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto?

“Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.”

A.K.: Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio.

Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.

Além do instinto

Em certas ocasiões, o animal mostra que existe alguma coisa em si além do instinto. Parece-nos, e a observação o comprova, que em alguns dos animais o instinto está cedendo lugar para rudimentos da razão, que deve crescer em proporção à sua espécie. No entanto, em tudo isso há um limite traçado pela natureza.

Todos sabemos que o animal, por lei do progresso, deve atingir outro reino; os milhões de anos nos comprova que, se o homem já tem o seu reino, é por ter conquistado a razão e hoje se move pelo raciocínio, na expansão da inteligência. O animal demonstra fios de vontade em certos aspectos, por estar junto ao homem. É, por assim dizer, uma transferência, ainda que mínima, de talentos que somente no ser humano estão mais desenvolvidos.

O mineral que dorme, tem seu progresso mas, anda de passos lentos, que parecem se perder na esteira dos milênios. Se o diamante foi outrora carvão, ele passou por um processo que se chama progresso. Assim é com todas as coisas criadas. Os valores do anjo estão guardados no seio dos minerais, que pela força de Deus busca as planuras da vida.

Se o Espírito desce à carne também para intelectualizar a matéria, a sua inteligência não deixa de atingir quem está escondido dentro desta matéria. Os animais domésticos recebem dos homens, por transferência, valores que desconheces, mas que, no futuro, a própria ciência comprovará. Tudo que foi criado por Deus tem sua história, que deve ser engrandecida pela natureza, como sendo a expressão do Criador, que de nada esquece.

Além do sono dos minerais, existe algo que escapa à própria razão, e que além das sensações dos vegetais também há segredos que escapam ao entendimento. Assim, também, poderemos nos referir aos animais e aos próprios homens. Negar essas verdades, é negar o Divino Poder que nos fez e dirige a todos.

Por onde passava, Jesus amava os animais, abençoava a natureza, fazia até multiplicar os pães e curava os enfermos. O Seu amor cobria as multidões dos pecados, e esse amor atinge a todas as gerações para sempre, por ser Ele o Governador do planeta desde o princípio do seu existir.

"A natureza não dá saltos", esse provérbio é antigo, e se não dá saltos, é justo e racional crer que ela age devagar; e se age devagar, tem de ser na sutileza da vida imperceptível, para depois se mostrar como tal. É no animal que principia a vontade, e é por essa vontade que tem início a inteligência. São forças sutis que não se percebem pela razão; somente a intuição pode mostrar essas realidades.

Todo o desenvolvimento intelectual, se assim podemos dizer, dos animais, não pode ultrapassar certos limites, para não criar distúrbios na própria sociedade. Assim como os armamentos das Forças Armadas não podem ser entregues aos marginais, os animais, com o uso da sua própria força física, já têm o seu limite. A limitação do homem é a razão, e em alguns deles já começa a surgir a intuição. Para eles, a educação aflora para corrigir e dirigir essa força poderosa que vem de Deus e da evolução dos sentimentos humanos.

Fonte:
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário