MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Os animais e o homem
609. Uma vez no período da
humanidade, conserva o Espírito traços do que era precedentemente, quer dizer:
do estado em que se achava no período a que se poderia chamar ante-humano?
“Conforme
a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado. Durante
algumas gerações, pode ele conservar vestígios mais ou menos pronunciados do
estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há
sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos
acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do
livre-arbítrio. os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque
ainda não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida
que o Espírito adquire perfeita consciência de si mesmo.”
O passado no presente
Os Espíritos em sua infância
espiritual ainda estão bem próximos da animalidade e podem conservar alguns
traços dos animais em sua vida, podendo-se notar os elos que ligam uma vida à
outra, que tiveram.
Conforme a distância entre
uma e a outra, mostra-se bem clara a ligação de um reino ao outro. Na medida da
evolução da alma, elas vão se desligando dessa influência; os traços ainda
visíveis desaparecerão e a personalidade se firmará na cadeia evolutiva, de
modo que a beleza moral isole o animal do homem.
O passado distante somente
se expressa no estado presente, quando este estado permanece estacionário. O esforço
próprio neste campo é de grande valia. Nós mesmos, no mundo espiritual, devemos
batalhar em todos os momentos para sairmos da animalidade e quebrar os elos que
ainda nos prendem às trevas onde as paixões dominam, a maledicência impera e o
egoísmo inspira a usura.
Todos nós devemos ser por
Jesus. Ele é o nosso dirigente; Ele é, novamente o dizemos, o Governador do
nosso planeta: Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta,
espalha. (Lucas, 11:23)
Nós somos o rebanho de Jesus
e devemos estar sempre com Ele, ajuntando as virtudes e vivendo-as todos os
momentos. Não devemos perder tempo em combater o mal, mas viver o bem, esquecer
que existe a desarmonia, estudar, meditar e passar a viver dentro da verdade e
do amor. Essas virtudes são a harmonia da criação.
Se a natureza não dá saltos,
nem opera com violência, certamente que os laços, do animal ao homem, não são
quebrados de uma vez. Eles se desfazem lentamente, no esforço de distanciar o
homem do animal. A parte que foi tocada para o ser pensante, ele deve fazê-la
devagar, mas com constância, operar sempre, avançando para a libertação
espiritual.
O passado que deve ficar
vivo no presente é o que fizemos de bom, é o esforço para melhorar, é o amor e
a caridade operada por nós ontem. O hoje deve refletir o entusiasmo, melhorando
cada vez mais esses gestos de luz.
Os homens, nas suas
primeiras experiências como seres humanos, se confundem nos elos que separam um
reino do outro. O animal se parece com o homem, e este tem muito dos animais na
forma, nos gestos e na forma de vida. Os próprios instintos são aflorados, como
sendo animais verdadeiros. Todavia, o tempo se encarrega da transformação, esperando
que o esforço próprio complete essas mudanças idealizadas pelos anjos.
Os primeiros progressos dos
homens são muito lentos. Com o passar do tempo e o amadurecimento das almas, o
progresso vai ficando cada vez mais rápido, acelerando a reforma no bem-estar
da humanidade física e mesmo moral, com a maturidade dos seres. Essa é a lei de
justiça e amor de Deus. Se procurarmos o amor e a justiça de Deus, o resto virá
por acréscimo de misericórdia divina.
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