MUNDO
ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XI – OS TRÊS REINOS
Metempsicose
612. Poderia encarnar num
animal o Espírito que animou o corpo de um homem?
“Isso
seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua
nascente.” (118).
Regressão ao animal
Já comentamos em página
anterior esse assunto, mas não é demais tornar a falar, para que se possa
compreender, com mais segurança, que a alma de um homem não pode voltar a
animar o corpo de um animal. A Filosofia Espírita é aberta às comparações, ao
raciocínio lógico. Como Deus iria criar as coisas para a regressão? Ele não
seria Deus, porque não teria ciência, quando criou, de que não daria certo a
Sua criação, tendo de voltar atrás, por ter falhado em Suas experiências!
Deus não faz experiências; isso é para os homens dotados de razão. Ele sabe o que faz, Ele é onisciente, inclusive de nosso destino. Ele vive no ontem, no amanhã e no futuro longínquo, como se tudo estivesse no presente. Ele vive no eterno, porque Ele é a eternidade. Já devemos ir estudando esse viver no eterno, para principiarmos a fazer o mesmo. Se somos Seus semelhantes, Seus filhos, haveremos de copiar Seus feitos para vivermos em paz, a paz de consciência.
Na ordem das reencarnações,
dentro dos corpos humanos, é que a matéria pode regredir para melhores lições.
A alma, como um ser, pode ser em uma reencarnação um grande político aos olhos
dos seus semelhantes, e voltar conforme suas dívidas, como um ser sem nenhuma
expressão, até em corpo deformado, para aprender a verdade no silêncio e no
sofrer. Mas, tomar um corpo que está servindo aos animais na retaguarda, isso
nunca, nem as plantas poderão voltar animando minerais.
A vida é crescimento, a vida
é luz, que tem como destino a Luz Maior. A Metempsicose talvez tenha servido
para uma geração, como forma de medo para as criaturas, um entrave para os
caminhos da perdição, como no caso de Sodoma e Gomorra, e de outras cidades que
foram destruídas pelas paixões ali incentivadas, como hoje se comenta em alguns
meios que a guerra atômica destrói até a alma, pela radiação que as bombas
produzem. Isso cria certo pavor nos profissionais das guerras fratricidas.
Existe, sim, a reencarnação,
mas não regredindo. Ela se processa no mesmo reino. O Espírito, tomando corpos
semelhantes aos que teve, para a sua evolução espiritual, e cada vez mais se
iluminando, mesmo que não mostre essa iluminação, a está processando por
dentro, e ninguém tira essa glória de sua vida. Ela é sua, por tê-la
conquistado sob as bênçãos do Criador.
O espírita, principalmente,
deve aprender a adquirir a força do desprendimento. Desprender-se das coisas
materiais não é jogar fora o que Deus lhe confiou; é saber fazer uso dos bens
transitórios, porque somente os valores morais, o saber, a moral elevada, é que
o acompanham pela eternidade.
Deus somente consente que se
façam as coisas que deem motivo para aprendizado. O que iria aprender o
Espírito que já tivesse animado o corpo de um homem, voltando a animar o corpo
de um animal irracional?
Deus é justo e
misericordioso; Ele não faz coisas para voltar atrás, e o homem é senhor dos
reinos que Ele criou, para que os Espíritos pudessem passar a aprender todas as
coisas.
Quando os fariseus se
indignaram pelos discípulos estarem trabalhando no sábado, o Mestre respondeu
desta forma, que Marcos anotou no capítulo dois, versículo vinte e oito:
De sorte que o filho do
homem é Senhor também do sábado.
Anteriormente Ele havia dito
que o homem não foi feito por causa do sábado e, sim, o sábado por causa do
homem.
Escravizar, por causa da
própria criação do mesmo homem, é regredir, vivendo situações e leis sem
expressão, em se falando do Espírito, que já tinha e tem atingido o reino dos
homens, dotados de razão. O Espírito é luz, e como tal, não poderá tornar às
trevas.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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