AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO VIII – LEI DO PROGRESSO
Progresso da legislação humana
796. No estado atual da
sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?
“Uma
sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas
leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a
fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais
de leis tão rigorosas.”
Severidade das leis penais
A sociedade que tem sobre os
seus ombros leis severas, é porque nela a depravação domina as consciências e,
em lugar do amor, ela vive a violência. É de se notar que, em muitos países
chamados civilizados e desenvolvidos, as leis são rigorosas, por faltarem ao
seu povo a educação dos sentimentos, que favorece a fraternidade.
As leis severas mais se destinam em punir o mal, do que secar a sua fonte, diz "O Livro dos Espíritos". Infelizmente ainda é assim. Para secar a fonte do mal, da desarmonia, somente a educação tem esse poder, mas, para tanto, necessária se faz a ação do tempo, que provoca a maturidade da alma.
Observemos nossos lares: os
filhos mais rebeldes sofrem a correção mais violenta. Para secar a fonte do
mal, é preciso que exista boa vontade da alma e, precisamente, preparo para
entender e sentir o bem como o seu benfeitor.
Somente a educação tem
condições de interromper as insinuações do mal. É ela o recurso divino que
influencia as almas para o saber, porque o homem dotado de amor e sabedoria voa
em pleno céu da consciência, com a tranquilidade que nada perturba. É bom, e
mesmo útil, quando os irmãos se esforçam para se preparar, retificando a sua
vida, trilhando caminhos nobres, no entanto, é importante lembrar que as
reações contrárias logo aparecem, tentando impedir que se dê o "Faça-se a
luz".
Vejamos o que Mateus anotou,
no capítulo vinte e seis, versículos sessenta e sete e sessenta e oito, para
melhor compreensão e vigilância de todos nós que nos dispomos a seguir Jesus:
Então, uns cuspiram-lhe no
rosto e lhe deram murros, e outros o esbofetearam, dizendo:
Profetiza-nos, ó Cristo,
quem é que te bateu?
Isto pode vir a acontecer
com aqueles que desejam melhorar e seguir a Jesus. Aparecem-lhes todos os tipos
de testemunho para provar a sua fé nos serviços do bem comum. Desde quando
abraçamos a defesa dos fracos, tomamos uma cruz nos ombros, que funciona como
raios destruidores do carma coletivo. Mas, não devemos perder a paciência nem a
fé; prossigamos como o Mestre o fez, indo até o fim, sentindo a glória que o
dever cumprido nos oferece.
Se as leis são severas por
dentro de nós, quando intentamos desmanchar a casa velha, cheia de costumes
errôneos, por fora o barulho é muito grande, porém, todos passamos por esses
testes, no sentido de sermos aprovados no íntimo do coração. O Cristo bate
sempre as nossas portas para entrar e ficar conosco para sempre. Depende de nós
querermos ou não recebê-Lo e deixar que Ele nos domine e inspire para a fé que
ilumina e que nos salva pela verdade.
Se queremos fugir das leis
severas, entreguemos a nossa vida ao bem coletivo, que encontraremos a cada
passo possibilidades de sermos úteis. E se já sabemos dos testes por que
haveremos de passar, não desanimemos: importa é que possamos deixar a mensagem
do Céu entre os homens da Terra, mensagem da não violência, do amor e da
caridade, do perdão e da fraternidade. Nesta labuta divina, com pouco tempo
poderemos festejar nos corações a descida dos planos superiores, a converter a
Terra no verdadeiro paraíso, onde o bem é o ar que se respira e o amor, o
alimento da própria vida. Então, as leis severas se transformarão em leis mais humanas
e cristãs.
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