AS
LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX – LEI DE IGUALDADE
Igualdade dos direitos do homem e da
mulher
817. São iguais perante Deus
o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?
“Não
outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de
progredir?”
Homem e mulher
São duas formas diferentes,
mas com o mesmo objetivo de vida, exercitando-se ambas, na busca da libertação
espiritual. Ninguém foi criado para ser preso, mas subordinado à lei que dirige
a todos, em sequencias variadas do despertamento das suas faculdades
espirituais, e somente juntos em forma de família, os Espíritos têm mais
possibilidades, acionando mais depressa o acordar dos seus talentos.
O homem se expressa no corpo físico com características diferentes da mulher. Ele busca mais as coisas da Terra e sabe responder às exigências do mundo na pauta dos seus valores e, neste trabalho, recolhe experiências valiosas, porque, no fundo, em todas elas vibra a lei divina do amor, que veste muitas roupagens por existirem diversas modalidades de se educar.
O homem, no curso das suas
existências, passa a indagar a si mesmo, usando da razão, qual é o melhor
caminho a seguir e, empenhado nessa especulação, acaba encontrando as
advertências como ajuda e descobrindo a verdade que o liberta. O tempo é seu
amigo inseparável, que age até quando for preciso; quando atinge sua iluminação
interior, desaparece o próprio tempo, não se fala mais de espaço e nem mesmo de
leis. A educação existe por causa da ignorância; se esta cessar, aquela não
será mais necessária.
A mulher tem uma razão de
ser na vida do homem, sem a qual a vida do seu companheiro se tornaria vazia e
sem impulsos para a busca da verdade. Deus nunca erra nos Seus objetivos. Pela
sua sensibilidade, sua ação é mais direcionada ao enlevo, em rumo complementar
do homem, como que uma ponte intuitiva que busca o mais além, distribuindo o
que de lá recebe com os que com ela vivem em família. O aprimoramento do papel
de esposa e mãe é a oferta da água viva, como a que a samaritana recebeu do
Cristo à beira do poço de Jacó.
Observemos os apontamentos
de João sobre a fala do Mestre, que assim se expressa no capítulo quatro,
versículo onze:
Respondeu-lhe ela:
Senhor, tu não tens com que
a tirar e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
Vejamos que simbolismo
divino: o Mestre oferta à mulher a água da vida, aquela com a qual ela nunca
mais teria sede. Era a água do amor, e a maternidade pode ser um poço dessa
água, para aqueles que, por seu intermédio, ela poderia saciar.
O sexo, na Terra, é força
viva que os faz unir, na esperança de que, pelo amor, passem do plano
espiritual para a Terra outros companheiros do passado, na esperança de
tranquilizarem a consciência e compreenderem o porquê da vida. O companheiro é
um instrumento para ajudar na operação, na constância de edificar esse amor,
cada vez mais espiritualizado: um, trabalhando nos horizontes da Terra, e o
outro abençoando com as forças do céu.
Os direitos do homem e da
mulher são iguais, mesmo na diversificação dos seus ideais. Não há diferença de
valores dos Espíritos; há, sim, de posições pelas vestimentas carnais que a
natureza lhes empresta para o despertamento dos tesouros da vida.
As mulheres sofreram muito
em épocas recuadas, pela ignorância humana, mas como nada se perde, elas
recolheram valores maiores, que devem se expressar no futuro ao comandarem e
direcionarem, pelos seus próprios valores, os altos postos que lhes foram
tomados, invalidados pela força. O trabalho maior da mulher é a missão de
educar aqueles que, por bênção de Deus, vêm para seus braços nas linhas do
perdão.
Eis porque a reencarnação
constitui bênção maior para todos os filhos de Deus; ela os inspira para o amor
universal e as vidas sucessivas matam o orgulho e fazem desaparecer o egoísmo,
em um trabalho que opera no desfile dos evos.
O livro dos Espíritos. Allan Kardec. Tradução de Guillon Ribeiro. FEB, DF.
Filosofia espírita. Psicografada por João Nunes Maia/Miramez. Fonte viva, Belo Horizonte. 10 volumes.
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